quando as tardes dormirem as manhãs e derramarem-se nas noites como um tempo claro tenham os homens a noção, adredemente arquitetada, de que as horas teimam o mundo nos coletivos que declara nada será uno e tanto sem a luta que se trava
68
Das andanças em notas e caminhadas
nas teclas do piano palmilhando compassos o músico inventa seu riso nos bemóis a que se abraça
do raso dos dedos caminhando o teclado o pianista tece a trama de notas abraçadas
a música é só um comício numa grande passeata
29
Do infante exercício onírico
adormecida a menina sonhava e deixava cair, aos pedaços, o sonho pela casa de seus olhos, entreabertos, brotava um onírico manifesto
dos risos que construía entre o sono e a vigília transbordava pelo rosto a plenitude da vida
61
Dos informes traços do universo
do universo decrete-se a forma de ter-se infinito infenso a normas
porque de sê-lo assim incontido tenha-se já completo em vários infinitos
as réguas de tê-lo abarcado são artifícios do juízo
18
Poema em mansa beligerância
o poema em riste, como uma centelha tramita todos os verbos pela incerteza
roldão de palavras, da-se ao esforço de atiçar no poeta um certo alvoroço
o poema é um levante das ruas em que se diga guardadas as proporções do verso, do poeta e da vida
54
Do futuro como ato
no avarandado da alma nos largos da lembrança o homem sonha o futuro deitado na esperança
os terraços do tempo dão-se a um caminhar militante quando os corredores do corpo constroem avulsos instantes
conjugar-se aos tempos é um espalhar-se constante
71
Procissão em transe
no andor, circunspecta, a santa balançava jogando pedaços de milagre que a multidão adivinhava
a passeata transitava tangendo as consciências, afagando o peito de todos em devidas providências
os santos assim viajantes decretam-se pela ausência e a vontade quase expressa de permitir a obediência
74
Dos cursos da felicidade
no Riacho dos Cachorros a água consentia na necessidade de dizer-se no curso da ventania
e debruçava nas margens como um gesto delicado que levasse nossos sonhos nos trilhos que desenhava
o riacho nem pressentia as felicidades que molhava
54
Da chuva em largada euforia
a chuva molhava os sonhos nas ruas, em enxurradas e derramava sorrisos espalhados pelas calçadas
os meninos dançavam os bailados da infância e jogavam pelos ares punhados de esperança
a felicidade apenas tangia os compassos dessa dança
58
Dos foguetes em sideral floresta
no espaço, como uma flecha, o foguete desenha uma indígena gesta
na mata sideral corta o infinito como um pássaro veloz e decidido
o homem alinhava o universo nas razões a que se permite
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.