Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
o horizonte
biombo do mundo
belisca o futuro
nos rumos de tudo
o que vive na mente
o que é fato em curso
todo horizonte
é lógico discurso
da vigência humana
nas andanças do mundo
assíncrona
a vontade, às vezes,
foge do mundo
como medo
a largura do tempo
dá-se à vida
como arma inepta
esquecida
a sincronia da vontade
é sempre construída
a máquina neural
transborda a vida
lançando a matéria
em investidas
o raso dos fatos
dá-se consentido
inventar a razão
produto coletivo
é só um bordado
que o futuro tramita
pensando
milito intensamente
séculos embutidos
na oficina do pensamento
no bailado neuronial
sinapses ao vento
encho-me do futuro
nas entrelinhas do tempo
seleção natural
matéria rompante
o mundo dá-se a mim
como viajante
solista privado
no recital da vida
dou-me ao arranjo
em partitura resumida
esse abraçar-se matéria
no concerto coletivo
tudo que me tanto seja
nas notas que declama
são apenas os acordes
da orquestra humana
a noite
afagava a tarde
trafegando a lua
pelo espaço
o tempo
posto em arquivo
lembrava no sono
seu sorriso
pulsando a vida
o menino adormecido
embrulhava no sonho
o infinito
o poema é trajeto
viela do mundo
ao cérebro
esse deixar-se humano
no vão do verbo
dado às ruas
parto manifesto
apenas expulsa
as placentas que gesta
a palavra em desobediência
ainda gestante
belisca a alma do poeta
a cabeça do poeta
como moenda
usina os verbos
criando cenas
as palavras
drones semânticos
assuntam a vida
em largo trânsito
o poema
já amanhecido
esquece o poeta
em seus sentidos
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.