Lunática intenção dos tempos
a lua, magra, parece um laço pintado no céu como um recado nas aventuras que o tempo traz no seu regaço: as dos sonhos dos homens pelos céus declarados os que sejam minguantes os que encham o espaço
do menino e dos trens em saga
o trem, num passo lúdico, pisava os trilhos como um discurso pela janela, balançando a vida, a natureza embalava todas as retinas o trem era um carrossel despejado em suas linhas
Do transcurso do amor em lances
o amor tramado na alma dá-se à recorrência como uma chachoeira morna das águas da consciência e por ter-se embutido nos desenhos dos fatos deixa-se quase eterno no tempo que desata o amor é o exercício exato de tudo em que se delata
Histórico memento
a história é um descuido que os fatos espalham pelo mundo farta do tempo, como uma relíquia, entranha-se no cosmos como enfeite da vida e nas escaramuças do povo a história sempre engravida
Dos sinais verbais intermitentes
acosso o poema com certo embaraço. Os verbos, nem sempre, dão-se a abraços fustigam o senso com certa ironia como se fossem noites travestidas de dias o poema é transeunte delicado do verbo e do poeta em suas vias
Do falar como invento
a norma culta traduzida pelo povo alimenta as razões das imanências do novo a gratuidade verbal dos desejos avulsos apenas inventa verbos de elásticos cursos é como gramaticar a vida com os suores do seu uso
Baião compasssado
do meio do tambor assim como um recado o som partiu a noite com um baião compassado dizente das batidas das cordas do coração a sanfona concertava os verbos da canção os homens viviam a música como um rastro da emoção
Vegetais em grave fala
plantada no tempo a árvore vegeta chuvas e razões fincadas na terra dá-se pública nos desperdícios que exala pedaços de seus ares espalhados pelas matas a árvore joga no mundo o tempo de suas falas
Coletivos em urgente lógica
o viver humano por fazer-se lúdico tenha-se por vasto nesse estado público a vida quando coletiva dá-se por completa nas origens que milita o todos que é de tantos é só um pouco de tudo o presente é só a fábrica das possibilidades do futuro
Caminhares em íntima jornada
dos passos que trago escondidos na vontade ressoam as caminhadas dos desejos da alma retirantes, palmilham itinerários exatos de todos os artifícios postos na vontade e nos caminhos da prática, como pássaros baldios, abraçam portas da liberdade
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.