Cuba é só um jeito de trazer a liberdade dentro do peito é que trazê-la assim nesse avarandado ressoa no tempo como um grave salto que a vida dá, quase sempre, quando a história inventa em ser do povo um espaço que convenha
Cuba é ilha e olho assim atravessada na face impotente dos canalhas
Ilha basta-se limítrofe de todas as liberdades que estejam em riste
115
do cacto em contubérnio inato
o cacto é só um pacto entre o espinho e o espaço a terra é só o ato de tangê-los no deserto dos fatos a paisagem é só o desacato da flor que se inventa nos soluços que prolata
162
Do pantanal em chamas
A arara azul leva nas asas uma nação em brasas
a onça, pintada em sua chaga, desmaia o fogo que lhe mata
e a sordidez humana escarra sua podre alma.
128
Quebrada del Yuro habita o mundo
outubro em oito o tempo grita no espaço da carne comunista
o guerrilheiro maior que a morte inventa a história e sua sorte
e as léguas de si que joga no mundo constroem o futuro e a certeza de tudo.
167
Da liberdade em rasa textura
A liberdade é fática tudo que lhe mede é a prática e nem se conta por unidades seu corpo é a forma da variedade
A liberdade é relativa por ter-se absoluta pela vida
118
Mãe
minha mãe tem caminhos por onde ando displicente como se fosse uma romaria de passados e presentes jogados no coração assim tão constantemente como a razão do amor que cai dos olhos da gente
100
À guisa de mote
É preciso dizer a todos dessa vida
a comunhão que tudo alavanca
e espalhar pelo povo a esperança
nas praças, vielas e avenidas
como se fosse assim uma cantiga
dos desejos que teimamos em criar
nas estradas que sonhamos ao amar
com a força secular de nossa raça
cantando e dançando pelas praças
cantando com o banjo na beira do mar.
87
Do grito insubstituível da vida
Meu vínculo é o que sinto pensar é só preciso naquilo que o coração é meu indício
A razão é quase gesto de que prescindo quando o coração aponta os verbos do que digo.
Meu vínculo é o que grito na rua geral da vida em que me infinito.
126
Aos tambores da pátria
A Nana Vasconcelos
O tambor talvez não diga tudo que inventou nos desvãos da vida
mas na sua sina de tocar o mundo resta-lhe a certeza de ter-se em tudo
o tambor impunemente é um coração itinerante nos passos da gente
116
Da felicidade e sua lógica
a felicidade é só um jeito de prestar-se a tanto basta que se lhe dê vontade é um quê de esperança.
é que de fluir baldia nos tempos da vida presta-se coletiva mesmo indivídua e cai nos braços do homem sempre dividida: uma parte é crédito o outro tanto é dívida
é que a felicidade em todos os sentidos é sempre um débito que ao outro é devido.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.