AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
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Das larguras do tempo

Teço a vida
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
 
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
 
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
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Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

749

Da ilha e seus limites

Cuba é só um jeito
de trazer a liberdade
dentro do peito
é que trazê-la assim
nesse avarandado
ressoa no tempo
como um grave salto
que a vida dá, quase sempre,
quando a história inventa
em ser do povo um espaço
que convenha

Cuba é ilha e olho
assim atravessada
na face impotente
dos canalhas

Ilha
basta-se limítrofe
de todas as liberdades
que estejam em riste





115

do cacto em contubérnio inato

o cacto
é só um pacto
entre o espinho
e o espaço
a terra
é só o ato
de tangê-los
no deserto dos fatos
a paisagem
é só o desacato
da flor que se inventa
nos soluços que prolata
162

Do pantanal em chamas

A arara azul
leva nas asas
uma nação
em brasas

a onça,
pintada em sua chaga,
desmaia o fogo
que lhe mata

e a sordidez humana
escarra sua podre alma.
128

Quebrada del Yuro habita o mundo

outubro em oito
o tempo grita
no espaço da carne
comunista

o guerrilheiro
maior que a morte
inventa a história
e sua sorte

e as léguas de si
que joga no mundo
constroem o futuro
e a certeza de tudo.
167

Da liberdade em rasa textura

A liberdade
é fática
tudo que lhe mede
é a prática
e nem se conta
por unidades
seu corpo é a forma
da variedade

A liberdade 
é relativa
por ter-se absoluta
pela vida
118

Mãe

minha mãe
tem caminhos
por onde ando displicente
como se fosse uma romaria
de passados e presentes
jogados no coração
assim tão constantemente 
como a razão do amor
que cai dos olhos da gente
100

À guisa de mote

É preciso dizer a todos dessa vida

a comunhão que tudo alavanca

e espalhar pelo povo a esperança

nas praças, vielas e avenidas

como se fosse assim uma cantiga

dos desejos que teimamos em criar

nas estradas que sonhamos ao amar

com a força secular de nossa raça

cantando e dançando pelas praças

cantando com o banjo na beira do mar.



87

Do grito insubstituível da vida

Meu vínculo 
é o que sinto
pensar é só preciso
naquilo que o coração 
é meu indício

A razão é quase gesto
de que prescindo
quando o coração aponta
os verbos do que digo.

Meu vínculo 
é o que grito
na rua geral da vida
em que me infinito.
126

Aos tambores da pátria


            A Nana Vasconcelos 

O tambor
talvez não diga
tudo que inventou
nos desvãos da vida

mas na sua sina
de tocar  o mundo
resta-lhe a certeza
de ter-se em tudo

o tambor
impunemente
é um coração itinerante
nos passos da gente
116

Da felicidade e sua lógica

a felicidade
é só um jeito
de prestar-se a tanto
basta que se lhe dê vontade
é um quê de esperança.

é que de fluir baldia
nos tempos da vida
presta-se coletiva
mesmo indivídua
e cai nos braços do homem
sempre dividida:
uma parte é crédito
o outro tanto é dívida

é que a felicidade
em todos os sentidos
é sempre um débito
que ao outro é devido.
89

Comentários (8)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado