ao verbo dê-se a vazão de navalha lúdica de gramáticos vãos e flua recortado no burburinho tenso da palavra como se fora terra sob a canga dos arados
e instale no homem a urgente oficina de inventar nos ombros da fala todas as suas rimas
112
Dos lembrares originários em efervescência
memórias trago-as engavetadas no centro de mim desde a áfrica impulsos, reflexos, instintos, risadas e uma certa compreensão de que lembrar é só um jeito de vivê-las pela alma .
53
das tempestades tácitas e implícitas
a nuvem posta no cosmos é apenas postagem dos meus olhos tudo que lhe tange é a rebeldia dos ares de uma pátria sem serventia que teima em fazer do céu subjetiva moradia
postadas aos montes as nuvens dos homens chovem num céu ainda sem horizontes
95
Do poema em visceral informe
o poema não joga sua delação é retalho de sua norma: decretar-se livre mas em revolta seu curso é só recurso do que informa
a idéia é o transatlântico navegando os mares das estrofes
123
Da Pedra do Tendó em larga cena
Na Pedra do Tendó a vida voa ávida garça pétrea pousada mansa nas asas da pessoa como se fosse âncora de sonhos passageiros que o olhar, às vezes, solta como uma pipa, sorrateiro, e explode no cérebro como reflexo e brinquedo
Na Pedra do Tendó o infinito é sertanejo e tramita suas léguas transeunte de si mesmo.
151
viver
vivo e tudo que me vive me explicita nos risos que guardo no bolso da camisa
vivo como quem acredita que só a dúvida tange as certezas da vida e nem adianta vivê-las em desmedidas uma e outra constrangem sua inteira medida melhor contê-las avulsas na incerteza do dia
vivo como quem navega num mar consentido em que o horizonte de mim viaja comigo.
vivo como quem morre intimamente consigo nada do que me mata deixa de ter-me vivo.
151
vigílias em tempo
ao tempo dê-se a vazão de rio caudaloso e procissão pois em sê-lo assim tão transeunte nada se lhe acrescente do que não resuma pois de tê-lo restrito mesmo na amplidão é como tê-lo quase infinito na palma de cada mão
ao tempo dê-se a contradita de parecer-se volátil mesmo definitivo porque em sê-lo frequente tenha-se como desuso de tudo que a razão cobrar-lhe custo
ao tempo dê-se a impressão de uma inércia voraz tudo que lhe consome é sempre um menos a mais porque inconsútil tenha-se mais a prazo como prestação do homem a tudo que lhe compraz
ao tempo dê-se a suficiência de ser espaço invertido tudo que lhe ocupa é infinito
ao tempo dê-se a raridade de parecer-se incomum como a felicidade pois não lhe trai a feição o parecer-se pacato pendurado nos ponteiros da nossa ansiedade
ao tempo dê-se a segurança de esparramar-se a miúde como torneira de mim e tudo aquilo que pude é que lhe falta a parcimônia das pacatas atitudes tudo que lhe tange é tanto tudo que lhe punge é tudo
ao tempo dê-se a complexidade de não se parecer matemático nos algarismo que invade pois em números não se quantifique assim em cursos frequentes quando na razão de nós mesmos houver um tempo diferente
é que ao tempo não importa os franzidos do coração e as pátrias todas da vida mas a simples constatação de que é um curso adrede quando se tem a razão como uma emoção diferente da força de cada mão.
105
Versos do sofrer
a dor urge que a tenha sempre à mão quando em vontade se arquitete a desnecessidade da razão
e sofro de mim quando entristeço coisa que não seja tal e que nem seja tanto quanto pareça
e consumo a mágoa como tentativa de me dizer não eu desconstruindo a vida
sofro com a compleição e o jeito de restar de mim aquilo que não devo
e no que não devo há sempre o mêdo de não me sobrar no sonho que consumo e em que não creio
sofro como a circunstância que sofre de mim a perseverança
e no que não creio já me permito ter da razão algum indício triste
171
Versos a Sô Dinda
a distancia não permite que o coração se ponha à deriva
nau ele flutua num mar que descamba nessa lida
e flui em ondas que eu sabia da gente que inventa essa alegria
109
Versos a meu pai
de onde você não estiver eu me comprazo em ser apenas o contraponto do que me cala
de onde a vida me bastar eu morra urgentemente nas fibras do que não pude me dizer no teu presente
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.