meu neto dentro de mim é um avô descontrolado tantas as razões de células que ainda guardo e que entornam pelos olhos quando em desagrado
meu avô dentro de mim é um neto inconcluso tantas as faltas que reclamo e que explodem no coração quando as uso
eis a similaridade todo avô é sempre um neto em que não se cabe.
102
Paisagem I
E o mar deitado na praia vivendo as coisas do sonho espera que a lua acorde e pule nua em seus ombros
e cavalgue a manhã com a presteza dos passos de quem inventa uma paz rodeada de abraços
107
Da noite em vazão estrita
assim baldia desconvocas a vida e, de repente, renuncias a todos os mandatos do dia à contraluz refoges da manhã que te anuncia e inventas a razão da rebeldia
ainda bem que em teu contorno fulgura o sol em que me jogo.
92
Da largura do amor em larga pauta
A Lane Pordeus
Só ao amor cabe o absoluto guardadas as proporções e as léguas do seu curso é que não lhe trai o uso moderado de tudo que a razão Interdita aos incautos
só ao amor cabe o infinito e a capacidade lúdica de nunca medi-lo
o amor é só medida de quem possa realmente senti-lo.
62
À espera do passado com nesgas do futuro
a esperança é só uma dança que o futuro inventa pela lembrança é como se fora um panfleto redigido no peito de quem avança
sua imanência é só aviso de quem sabe montar seu infinito.
111
Da vida em ombros de verbos
o dorso da vida é largo cabe tudo quanto vivo e nem lhe sobra espaço para não conter o que digo é que palavra é um tempo num espaço tão contido que às vezes explode a razão de se dizer o que disse e o verbo toma partido na deslembrança de tudo como se fora um discurso que não quisesse ter curso e se perdesse nas ruas das inconstâncias do uso
92
do amanhã em largo espectro
o amanhã é só um ontem reprimido é um tempo que esqueceu de ser vivido
pousa na memória como bólide inconcluso à espera das estradas em que possa estar em uso
O sonho é só o cordão que lhe atraca no futuro.
77
Da saudade e suas direções
É que a saudade é um jeito que até parece um enredo de sermos certo do longe no tardio curso do cedo é assim como uma lembrança de que se guarda o medo de que o futuro se esconda nas curvas de um segredo e se transforme num passado atravessado no desejo
a saudade é uma avenida de todos os nossos becos.
120
discursos temporais da velhice
eis a sinergia: a alegria é sempre maior que a tristeza presumida o tempo e o riso cabem mais nas entrelinhas da vida
É que sua lavratura, demandada pelos anos, abrange todas as medidas do envólucro humano
eis que consumir o tempo é uma alegria orquestrada ao homem cabe compô-la das notas em que não se cala.
118
Poema ao meu avô Osório
meu avô nunca me disse que o avesso da vida não existe é que não lhe cabia como transeunte dizer de ruas em que não mais passava tudo que lhe cabia então nem era mais palavra jazia apenas em minha saudade como uma vontade avara de olhar em seus olhos e navegar nos mares de sua fala os barcos que nós dois nem pudemos atracar no porto das palavras.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.