estrategista, deixo minhas táticas à deriva é como cabê-las todas pelos bolsos da camisa penduricalhos momentâneos dos contornos da vida
o rumo grande de mim independe de medidas todas as razões do mundo são andarilhas pulsam assim como coletivas as conjunturas da vida. no mais é deixar-se remar nos mares das avenidas.
147
Da propriedade em largo vau
privada, a propriedade esconde nas entrelinhas os suores dos homens
coletiva, presta-se à lida de tanger os homens de encontro à vida
é que até ninguém é dono de si sem dividir-se com todos na infalível lógica de, unânime, apropriar-se nos outros
139
A Czeslawa Kwoka
as listras amarrotadas da tua farda riscam as manhãs em que não estavas
teus olhos, póstumos enclaves, apontam os portos da liberdade
ainda viges como lembrança nos ombros largos da tarde.
143
Dos oníricos assaltos
Dou-me ao assalto de furtar meus sonhos do meio dos fatos é que por trazê-los assim rendidos sobra-me o tempo de tê-los pelos sentidos como argamassa construtiva de todos meus infinitos.
110
Da materialidade e contracaminhos tais
Por ser material caiba-lhe sempre a feição de permitir-se à unidade em toda relacão pois não tenha a idéia, antecedencia ou trato de permitir-se uma razão antes de qualquer fato
e cada caminho bruto de verdades condizentes constrói uma razão adrede no peito desses viventes como se fora vazão dos fatos todos da gente
fora de nós, constantemente, há uma vida inteira que não depende de mais para ser brasileira ou material coisa que tanta de unidade escorreita
a unidade da vida é manifesta e precisa os fatos que lhe conferem essa feição objetiva dizem das coisas dos homens da natureza e da lida que liga tudo a tudo e por tudo se explica
e desse tanto monismo que subverte a natureza há um só movimento que lhe declara a presteza dessa unidade profunda entre o homem e a certeza pois por ser material, um e tão multitudinário tenha-se permitido à razão de parecer-se contrário
uno, permita-se vário em transeunte mudança como se muda a tristeza numa nesga de esperança quando a emoção se afasta pelas vias da lembrança
e esse pensar adrede que vem dos laboratórios e que se espraia nos homens em escassos circunlóquios revela o retrato do mundo e todos os seus transitórios
e pensa o homem o fato a partir de um fato suposto mas que sempre tem na base a material e seu contorno ou a sua qualidade de parecer-se avulsa criando no pensamento uma pretensa repulsa como se não fora da matéria a razão por que a usa
a matéria, enfim, é categoria de filosófica urdidura que diz tudo que ao homem lhe denota a compostura de ser um vivente sujeito objeto da transformação de saber que é material o palmo de sua mão
e que até o sorriso que o futuro lhe demonstra é uma matéria urdida com a fluidez das demandas e a desfaçatez quase lúdica da construção das lembranças.
121
Das ações e das formas
por mais viver não vingue o dia em espalhar a noite pelas entrelinhas é que o discurso é só uma forma de enquadrar o fato em cada norma viver é cavalgar o tempo com as rédeas da lógica e a certeza guerrilheira das revoltas.
144
Da intifada e laicos pormenores
A primeira manhã é palestina rubra temporada de homens e metralhadoras e uma noite que teima em ser quase menina
a primeira manhã é morte e esperança laica displicência de uma conjuntura vã
a primeira manhã é palestina em cores desregradas traçadas a muque na rasa madrugada
mísseis e dramas em conjugação disforme uma tristeza tanta uma saudade enorme dos dias que não viveu de mortes já truncadas da cara geral da luta do canto geral de nada
garça a vida em vôo displicente nos rios que nunca árabes voaram esses viventes
grave a morte em cambulhadas traste da manhã teúda e armada
magra a flor das esperanças arábicos logaritmos da pouquidão de trânsito
a primeira manhã é palestina súbita revoada dos pássaros atômicos da palavra
a primeira manhã é palestina e quão desarvorada com o abraço contundente da noite mais avara
a primeira manhã é estrela das estradas rugindo no colo da noite a grande intifada.
116
Da liberdade em concisa fala
não vá de longe a liberdade dizer-se assim desconstruída como se fora equipamento de preencher adredemente a vida
é que provê-la é mister avaro em que se professa a vasta humanidade de quem constrói um grande bólide capaz de atingir todos os ares
e não medeia entre si e o homem qualquer espaço de recusa porque não vivê-la assim em tudo é de quem não entende a luta que leva todos ao mesmo fim de inventar os jeitos do futuro.
122
Poema zoológico
o urso polar é quase um grito arquivado no vão de todo riso
assim em nado é pássara attitude e traição adrede ao que tem de paquiderme
mais que urso é uso de retinas provisórias que chegam a cobrir a mágoa que drapeja na memoria.
201
Poema em tanta desproporção
Há manhãs destemperadas em que minha pátria havia em quase nada
lavrava eu um quanto abraço que abarcasse meu povo em seu cansaço e que se dissesse único mesmo vário
e a compreensão desse destino fez-se contrária ao peito que carrego em desalinho
não que a desavença houvesse convencido que o coracao é um decreto que revoga todos os sentidos.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.