A verdade é sempre elástica tudo que lhe mede é a prática
a dúvida é só um modo de torná-la plástica
montá-la pela história é divertimento da alma.
173
Itinerário frequente
A Rogério Benevides e Bebeto, in memoriam
Nem a bruta pedra resvalará em nosso medo quando a vida se tem a custo e não se custa aquilo que é tão cedo
por certo que abismos fruiremos no estranho equilíbrio que nos tenha e velejaremos pelo vão da vida na exata proporção que nos convenha
mas nem civis nos restaremos ainda sãos a não ser nos bolsos da memória onde se guardam cidadãos e, assim, inconsumidos na competência farta da gente ainda restarão pequeno dotes para se sentirem quando ausentes
e nessa surda inequação tão imatemática e fugaz a vida é sempre rumo de se seguir, e sempre e mais.
76
Poeminha de tramitação compulsória
Há um dia claro em cada futuro é que ao homem cabe em tudo remeter seus autos aos despachos do mundo.
118
Poema de amar repente
É preciso amar e amar tão precisamente com a força do coração e a certeza latente de quem milita a vida nessa constância de gente
não um amor comprimido contado a quatro paredes não um amor lacrimoso contado no vão dos dedos
mas um amor combatente tecido no chão do peito e que guerrilheiro se apresente e que da paz se acrescente e que varando a manhã da pátria afogue a noite que se sente.
104
Poema ao suicida
o salto esconde o homem da cidade
ao morrer – quem sabe? o homem pula a si e sua verdade
incoletivamente ele desarquiteta o salto, a vida e a tarde.
172
Poema ao povo das cores
Grávida a África escancara todas as cores em que se espalha nada do que lhe é tanto se compara aos infinitos que joga pela nossa cara
116
Palavras ao Camarada Maia no fragor da luta
Quantos vulcões restarão na tua boca que ainda cuspiremos a vida em tão extremo desconforto?
assim renhido na batalha tanta quem adivinhar te possa a esperança?
és um inifinitivo que ninguém alcança convulsa a realidade enrolada em suas tranças.
108
Acróstico ao Camarada Che Guevara
Camarada, vives pelas almas Herdadas do vão dos teus atos Empilhadas em grávido desacato
Gastas as memórias Urdidas em tua luta Espaços bordados da história Varando os céus de Cuba Até que o coração do povo, Ruas, cidades e todo a terra Avance pelo mundo a casa geral de todos
156
Pequeno versejar sobre o fascismo em panfletária forma
em decúbito o ódio esmaga o discurso como se fora bólide do susto
o desespero da razão é só o ritmo de quem perdeu em vão o humano indício
o fascismo é só um grito da podridão urgente de neurônios vencidos
mas há que o povo tê-lo em rédeas e tangê-lo fartamente ao abismo.
93
Do desmazelo temporal do medo
Nunca é tarde para dizer o que é cedo à história, às vezes, é um disfarce do medo e o tempo inventa porções para demorar seus atropelos
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.