Nos andares de minha patria descabem quase de si uns tantos milhões de passos que não passam por ali caminham por sobre muros na alma assim declarados e nem disfarçam o futuro do que ficou no passado
nos muros de minha terra há um grito disfarçado que trava o peito do homem como se for a um arado que rasgasse a alma do tempo como um imenso pecado.
158
Das margens da vida
Nos ombros do tempo navego horas e envelheço até nas mocidades em que eu me esqueço
vivente dos meus egos nas vezes em que nem me perco o meu fim, adredemente, é só um disfarce do começo
a velhice é só um jeito de inventar-me pelo avesso.
123
Balada de urgente lógica
Tudo é igual em matérias tantas como os respingos de mim que jogo na esperança
é que sobram de mim numa vazão tão lógica como se todo o outro fosse a única ótica
e largo-me pela praça com a ilusão exata de que o futuro é tudo que a certeza me prolata
286
Poema ao povo de Gregório Bezerra
o coração, camarada, é um cigano desgarrado que ainda pulsa a vida apesar dos fardos
o povo, camarada, ainda arranha o futuro com a persistência do tempo e a insistência do discurso
a revolução, camarada, ainda é jeito apressado de esparramar a verdade nesse imenso descampado.
140
Do amor que se pretenda
Do amor que se pretenda ouse mais do que decida e que esteja sempre infante ao redor do tempo e da vida
que o amor que se pretenda nunca exato se disfarce e que mesmo ausente sempre caiba em verbo tanto que se baste
que o amor que se pretenda nade pela vida em largo vau nos rios de quem ainda nade a infinita certeza dessa nau.
100
Das andaduras do tempo
Do século passado trago-me infante ao futuro com as dúvidas nas mãos e as certezas no discurso
nada do tempo me limita e invade palavras são atos diagramados na vontade
resta encostar os verbos nos atos da liberdade.
107
Novamente o tempo
Ao tempo dê-se a impressão de parecer-se exato apesar de não e que sua textura revele a consistência de tudo que não se cobra nos desvãos da consciência
ao tempo’ dê-se o desatino de consumir-se avulso pelos caminhos quando a constância da forma traia-lhe o jeito a desoras
ao tempo dê-se a textura de manter-se intacto mesmo em andaduras porque lhe sobre a feição de transeunte constante que mede sempre nos passos o rumo que lhe tange
ao tempo dê-se regra cogente tudo que lhe some diminua o que se tem pela frente porque não seja mistério um certo quê de repente que teima em dar aos olhos um espaço diferente
ao tempo dê-se a monotonia de parecer-se uma noite que nunca chega a ser dia pois lhe falta a parcimônia um pouco mais apressada que teima em fazer do tudo um pedacinho do nada
ao tempo dê-se a sinergia de ser paisagem eclética dos espaços e das lidas pois lhe reverbera a função de parâmetro inconcluso das incertezas que as gentes carregam pelo mundo
ao tempo dê-se a dialética de franzir-se amiúde quando em futuro se sabe os passados que pude e que lhe sustenta um contrário a contracorrente do mundo
ao tempo assim à contraluz negue-se-lhe o rumo a que o olho conduz por contradizer-se retilíneo nas curvas em que se produz
ao tempo dê-se um coração milimetrado e todas as réguas possíveis de todos os compassos pois é de tê-lo medido no tamanho de cada abraço
ao tempo dê-se o outro, como em nós, oficina a construção do que somos nessa humana usina que navega todos os mares daquilo que nos oprime
ao tempo dê-se o não como afirmação absurda de tudo que se permite quando a vida abunda e derrame-se constante naquilo que nos desusa
ao tempo dê-se a outra face nesse mister tão avaro de permitir-se avulso e quase à vontade na exata proporção de tudo que não seja tarde
ao tempo dê-se o anonimato de quem remói nas palavras um silêncio inato que nem precisa ser verbo para dizer-se liberdade
ao tempo dê-se a consistência de ser um mar atravessado no varal da consciência.
183
Ritmo de métrica duvidosa e dizente das coisas do poeta
todo poema é avesso e avulso da vida e de si mesmo e é maior que o poeta em cada letra e muito menor do que aquele que não se cometa
o poema é um abraço ilógico no vão da continência e é quase uma razão sem muita contingência e, talvez, mais que palavra, seja placenta de embrulhar a vida aos pedaços e sem muita paciência
o poema é desconforto embora tenha-se porto e nem mesmo é continente quando adredemente posto pois lhe sobra a aparência de viscera enorme no vão da consciência
o poema é um transeunte da vida tudo que lhe cabe em qualquer medida é insuflar a emoção de quem se inventa pelas avenidas.
120
Das esquinas do verso
O poema é só um grito que joga o poeta no colo do infinito
a palavra é o armistício da emoção lançada como arbítrio
vive-lo é profissão de quem está sempre consigo.
123
Das confluência do eu
O entorno da vida é também a vida mesmo que a razão a contradiga coisa que enseje um tempo à deriva como barcos e verões em contradita o entorno da vida é também um trato nada do que não seja eu é meu compasso minha régua é um tempo em que sempre me abraço
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.