Pequena alusão aos tempos do espaço e a perene desavença humana
O infinito não é só espaço há um tempo embutido em seu descampado depois de si traz outros infinitos que desabotoam a razão e todos os sentidos
é como parecer um mutirão de todos os destinos por decretar-se avulso apesar de ser contínuo.
109
Das conjunturas e dos caminhos
ao fascismo dê-se a vazão de esgoto falido da razão
à história dê-se a compleição do povo inventando a rebelião
a liberdade é só um rio atravessado pela multidão
135
Das contraturas do eu nas avenidas
No teatro de mim decido em atos as peças que interpreto a cada passo. Fujo da platéia quando ajo o coletivo em mim é tão exato que nem cuida do ego para seus saltos.
E assim palhaço de mim rio a vida e me invento povo na avenida.
122
Do poema e seus limites
antigo meu verso não diz mais do que eu consigo
é que dizê-lo tanto é mais indício de que a palavra é sempre um precipício onde descambam verbos e infinitos
contrito meu verso nunca é mais do que eu digo é que lhe falta o jeito e a prática de ser mais explícito coisa de ser palavra que diga mais do que é preciso
baldio meu verso inaugura os descampados sem fim do que me cuida
incauto, nas permanências da vida e nas distâncias das ruas, meu verso é só um salto nos caminhos que eu construa
130
Poema paisagem
pelo azul de mar em tanto a jangada escreve o vento e a vida como se fora um verso de todas as partidas e os encontros que a vela alinhava permanece no ilimite de quem nem sonhava impunemente como se fora valsa a jangada dança um mar que nem declara apenas lhe resta o caminho e a necessidade avara de ser porto admissível de todas as palavras à contracorrente como bandeira de uma paz amanhecida a jangada apenas espera os horizontes que eu consiga.
84
Pequeno poema
nos debruns da vida quem sabe? há um retrato inteiro da liberdade
é apenas escrevê-la nos ombros da vontade e bater o coração pela cidade
136
Da alma e sua ingerência intransitiva
Minha alma é só um jeito que a vida teima em dar quando não creio é coisa que se diz tão tanta que chega a montar-se em gritos na esperança quando não desmaia impunemente no viés incauto da lembrança.
211
Solilóquio em torno da presença
A solidão é só um jeito de quem não se traz dentro do peito
vivê-la é exercício de trazer-se à força nas demandas do riso
a solidão é só uma parte dos nossos infinitos.
111
Das reminiscências luminosas
No olho a luz informa que o universo é pouco para conter o óbvio. A luz sempre será um infinito inócuo tudo que lhe é sombra será lógico, pela mesma razão que tudo é também o seu contrário guardada a proporção de sua história.
ao homem cabe vivê-la no seu coletivo esforço esse trabalhar infindo pra construir o novo.
112
Nos escaninhos do devir
a história caminhando pelas praças constrói os tempos das árvores e o destino das massas
todas as dores do povo embrulhadas em sua face no alvoroço da luta inventam a liberdade
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.