E no avesso da alma assim meio escondido o tempo abre um espaço do tamanho do infinito para inventar as delícias de navegar os sentidos.
76
Dosimetria da vigência humana
e pelas franjas da alma a vida é só o esforço um completar-se de si na esperança do outro
ninguém é humano sozinho nas cordilheiras da vida tudo é o tanto de todos nos mares, nas avenidas
ao homem só cabe o tempo de navegar essas medidas.
121
Dos alvoroços públicos e privadas doações
no alvoroço da história nos ombros das avenidas do gosto assim do futuro o povo inventa a vida
e nesse roldão exato que se avoluma no peito o sonho vira um fato na amplidão do seu jeito
e a ninguém é dada a razão de não se dar por inteiro.
125
Larguras e tempos
sobro de tudo que me cabe a vida é sempre maior do que se sabe
e nem lhe reste a contradição de conformar-se cedo com o que é tarde.
122
Das minúcias do viver
lúdico nada me joga público
andante de mim súbito deixo os repentes em que me uso como uma jangada adernada nos mares que curso.
197
pequena intrusão lacaniana
trago-me do outro em demandas como um espelho dos eus que me mandam
explícito deixo-me intruso nas pulsões que invento e desuso
e valho-me da vida para estar na morte nos mares que construo nos dias de ócio.
tudo é só o outro no outro que sou e me conformo.
127
Da dosimetria onírica de mim
meu sonho nem se culpa de sonhar-se sempre em plena luta
é que lhe sobra uma aventura inata um despejar-se coletivo pelo vão das praças
meu sonho tem léguas em que nem transita é que muito de si é a própria vida
141
Do sonho e sua fluência
o sonho nunca acaba o homem é que esquece de tange-lo pela alma
sua ilusão é inexata tudo que lhe tange é a prática
seus mares são jangadas de escoltar a vida em disparada
sonhar é só um jeito de desconstruir o nada
108
pequena ilustração da luta
a vida, assim, fluirá adredemente pelo curso que se forje como rumo e inventará os nuncas e os sempres que determinam a vigência do seu prumo.
e na indizivel dialética do que cria prescindirá, muitas vezes, da presença dos cabrestos que o tempo anuncia naqueles que não a tangem nas ausências.
e nesse dar-se às necessidades do dia inventando noites nos ombros da madrugada lavre um tempo grávido das asas da alegria escoltando seu prazer pelas calçadas.
e como um navio adernado na esperança construa o seu riso mais exato e diga de todos a vida que se trança nas larguras da luta que se faça
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.