A esperança é uma dança que a vontade da gente inventa pela lembrança
é uma certeza urgente que se lança nos largos ombros do futuro que a luta planta
91
Das tangências inexatas
cavaleiro de mim invento em tudo essa mania enorme de tanger o mundo
é que viver é quase assim um incompleto absurdo
128
Das fímbrias da gente
A vida é um ajeitar-se frequente nem tudo que se vive às vezes se sente
é que sobram emoções nos alforjes da gente.
112
Ode ao Rio São Francisco
dito rio como santo francisco, viés de tanta vida, talvez te queiras retrato de todas as avenidas nesse aconchego das àguas em que desajeitado deslizas
rio és apenas indício de que a jusante de ti completa um infinito que se mede pelo povo montado no teu riso
tudo que te represa é só um grande comício das pedras que se conjugam no dorso dos teus gritos
(a pedra fita o rio com seu jeito de encanto e desafio tudo que lhe compraz é ser enfeite do rio)
francisco traças teu curso como norma perene do abuso tudo que te mede é a franqueza das águas que discursas
assim caminha esse povo quando São Francisco te postas como um verso definitivo escrito nas tuas costas
140
Dos trânsitos da vida
A prostituta instaura o trânsito em suas curvas tráfego de gente e de culpas
jangadas de um amor baldio navegam sua luta.
122
Rascunhos astrais
estrelas são só um rabisco entre mim e o infinito
melhor dizê-las astros talvez dos sonhos em que me abraço
é que vivê-las é só um jeito em que me traço.
100
Do poema e seu transcurso
O poema é uma guerrilha avulsa tudo que lhe tange é o discurso entre a certeza do verbo e a incerteza da luta a que os humanos se prestam na humanidade que pulsam
o poema apenas é a alma dos verbos que disputa
98
Dos cálculos de mim
na matemática de mim me multiplico tudo que divido é meu ofício sou a equação informe dos cálculos que vivo
84
dos franzidos da vida
curvo, o espaço é tempo do seu uso
curvo, o tempo é um espaço ancorado no mundo
96
Retrato diminuto da presença
e quando laço a vontade nas curvas do que digo o tempo é só um atalho de estar sempre comigo o verbo, às vezes, inventa um silêncio contrito que dize-lo é só a razão de enfeitar os sentidos
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.