o tempo é um espaço disfarçado minutos, larguras e metros são quilos do mesmo fardo tudo que lhes medem é a constância do abraço
é como se o mundo vive-se em sobressalto arremessando o futuro num imenso descampado
198
Das dúvidas das horas
O infinito é só um salto que o tempo teima em dar pelo espaço tudo que lhe tange é passeata e a exata compleição do que prolata com esse jeito de tanto e a certeza de nada.
138
O curso da utopia e sua gesta
a utopia é um grande murro que se dá no presente com os punhos do futuro
e vige como um abraço atravessado em tudo nas ranhuras do passado no trânsito incauto de mundo.
183
Da metragem temporal das normas
o relógio não leva o tempo nas costas nós é que medimos os ponteiros das demoras como a inventar um jeito manso de arrumar o destempero das horas
é como se fora uma régua de medir os ombros da memória tudo que lhe sobra falta nos vincos ávidos da história
114
Da dialética manhã dos meus instintos
sou e não sou como me sinto. avesso do sonho: rebelião, eis a minha síntese
tudo que me tange é a construção da paz e o vermelho do sangue meu coração é um barco de navegar horizontes
190
Do capital e suas rugas
o capital tramita entre a fome do povo e a polícia tudo que lhe tange é lucro da recorrência parasita
monetariamente a fome multiplica todos os cifrões no cadafalso da notícia.
166
Dos modos e jeitos
É que no peito da rua a liberdade acalma o alvoroço da luta o drapeado da alma
é assim um discurso transcrito pelas calçadas nos ombros largos do tempo que o povo joga na praça
139
Edital de mim
nos meus itens infinito os degraus da vida que milito
tudo que me crava nas costas do tempo é a rebelião exata do pensamento
a vontade é só um jeito de encontrar-me atento
138
Das nervuras dos quadrantes
Nada é absoluto o tempo não teria espaço para decretar-se em tudo
nada é restrito o todo sempre cabe em cada infinito
a gente é que dá um jeito de teima-los incontidos
110
Do futuro e suas vagas
o povo ausculta nos ombros da praça o ruído da luta
comício de tudo o verbo disputa as razões urgentes de todas as culpas
e nos olhos do povo envolto na palavra o futuro toma o jeito de quem lhe abraça
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.