Dos caminhos do futuro
aos camaradas reste a desculpa de inventar os sonhos nos caminhos da luta figurantes dessa dança inventarão com o povo as portas e os degraus da esperança a revolução, enfim, constantemente é só um montar na história de repente.
Das medidas do viver
a vida assim remoída como se fora só um tempo esquece pelos descaminhos as ruas do pensamento é que a vida é sempre infante nas costas de todas as lidas e há que viver esse tempo em todas as suas medidas viver é ser todos os outros nas larguras da avenida.
Palavras ao verbo rasante
escrevo o quântico quantifico o nada o poema é quase tudo perdido nas palavras o verso é só um jeito de descobrir a madrugada verbos são andorinhas que se jogam pelas calçadas seu vôo é a imensidão nos descaminhos das asas
Dialética insubmissa
O outro é só a antítese da síntese que somos todos e as teses ainda pulam no emaranhado das bocas mas há um futuro imposto nos verbos que nos ouçam. É que juntos nos dispersamos na unidade das coisas.
Das larguras do tempo
Teço a vida como alegoria dos futuros que intrometo pelos dias o tempo é só detalhe dos favores do espaço em que se cabe o presente é só uma nesga entre o futuro e o passado que a gente enche de tudo nas larguras em que se cabe.
Da conformação dos atos
a circunstância e o presente admitem futuros intransigentes nada que lhes digam passados dá-se por consequente ao sujeito cabe apenas arruma-los adredemente nas calçadas da vida a que se consente.
Dos alinhavos da velhice andante
cavaleiro andante convoco meu instinto nas estradas que traço nos desvãos do que sinto cada hora inventada é uma desculpa de como tornar mais breves todas as culpas: as que venham da vida, as que sejam da luta.
Da remessa ao estranho
Dá-se o acordo: nas entrelinhas da vida alinhavo minha condição de outro tudo de mim é um só esforço em transbordar os eus a que me forço a rebelião em mim adredemente rebelou-se.
Das tecituras do caminho
para lutar comigo deixo-me estar subversivo o tempo é só um indício de que há uma lei a que me obrigo: nada será o futuro senão meu ofício.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.