num desvão da vida espremido nos soluços o futuro vê-se adiado na pressa dos minutos
e o sorriso anoitece num canto do juízo como a querer dormir nos ombros dos sentidos
ao homem cabe acender os pavios do seu riso
112
Passado em desoras
o passado é só um descuido dos futuros que se larga nos ombros do mundo
como tempo resta-lhe o rompante de viver dançando na cabeça dos homens
deixar-se pelas horas é a lógica de seus planos
75
Índios passeios
como indigena, dou-me itinerante dos voos todos da vida e seus rasantes
e por te-los assim como transeuntes deixo-me estar recorrente em tudo que me nutre
a vida é um voo enorme nas asas do que pude
106
Primeiro verso à minha pátria
Primeiro verso à minha pátria
I
no peito da rua a pátria existe dilacerado vão da vida em riste meu verso apenas trata da pátria como da sofreguidão das amantes tardias minha terra ainda não tem a compostura que a pátria que eu sonhei dizia ela escapa dos dedos como o trigo mais fugaz como o suor que acende o riso dos canaviais minha pátria é compulsória com a mesma desfaçatez das grandes auroras antes que azul melhor pensa-la e dize-la ensolarada assim em ondas numa luz que coubesse em todas as sombras e que tivesse a semelhança de um ato incalculado onde o humano fosse a razão de nunca se estar calado.
II
minha pátria geral apesar de tanta vive-me engasgada na lembrança como um sonho inconsumível e uma vasta esperança minha pátria não diz na geografia os quilos de meus irmãos que consumia apenas aflora-lhe à boca um verbo intransponível que teima em ser palavra na sua face de míssil
III
minha pátria difere do povo não pelos seus jeito e gestos mas por tudo que em sua ação teima em ter um gosto inverso e mesmo nas vezes em que é joões e marias esconde nesgas de enfado em ver-se ssim em teimosia minha pátria consome em seu mister mais avaro o coração desses homens que lhe sabem amarga
IV
mas no seu íntimo como um grande escudo minha pátria resguarda a prontidão do seu futuro em que estará liberta de ser pátria em tudo e habitará somente os homens como um universo único
76
Poema de circunstância tempestiva
o velho chorava e nem vivia os séculos líquidos que a lógica do seu olhar amanhecia
o jovem ria e nem sentia os quilos de razão que a lógica de sua boca pressentia
62
Da espacial revolta dos bólides
a cápsula como bólide liberto deixa-se espalhar como um largo gesto
eivada de cálculos em seus trajetos inventa labirintos como manifestos
e nesse passear, como um protesto, lança no espaço uma foto 3x4 do universo
58
Poema em famélica pose
a vontade posta nas pedras da calçada é uma fome avessa desenhada pela cara
o homem aos pedaços íntimo do lixo inventa em si qualquer indício
nada de ainda humano é o seu ofício
97
Das lucrativas misérias sistêmicas
a fome é só um enredo que o mercado, em lucro, quantifica no medo
O ágio, como dilema, transcende todas as costelas dos que o produzem no curso da miséria
parasitas, insistentes, inscrevem na história sua aparência de gente
171
Visões do avante na crise
o gosto do futuro debruçado na crise desenha ilusões em quem insiste
olhar furtivo pelos ombros do tempo aponta nos sonhos o que se pressente
a crise abraça o futuro nas razões e seus repentes
84
Das mortes que vivo
sempre que morro teço a vida eis a consistência de estar vivo
nos verbos e na carne assim resumido tudo se restringe a esse ambíguo: a morte é um jeito de construir sentidos
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.