em céu desatado, atravessada, a lua é uma régua que o tempo prolata
é como um discurso decodificado das regras a que se impōe nos ombros dos seus traços
a lua é só um tempo que se esqueceu no espaço
316
das humanas buscas em canalhas terras
o lixo engole a fome como um resto de gente do homem a mão amanha podre a carcaça dos lucros de quem pode e a lógica pulsa exata a desumanidade dos canalhas
o caminhão do lixo é uma nau inconformada o peso em suas costas é de humanos e de faltas
313
da fome em escaninho avaro
a fome rasura a gesta humana e a insana burla de enraizar lucros nos decúbitos capitais das culpas
faminto o ser nem sente a parcimônia que lhe pretendem
a vida cai fora de si e nem entende
287
da pátria em circunlóquio crescente
minha pátria dorme inteira no futuro como uma utopia farta grávida do discurso
as palavras no ventre da vontade são gestos construtores dos fatos em que cabem
a ânsia pelo tempo é só instrumento da liberdade
236
Dos arranjos conceituais do tempo
filosofar é conhecer o tempo e traze-lo à mão pelo pensamento e desfaze-lo em conceitos e retrata-lo avulso por dize-lo
na concretude do seu jeito cada fato é subjetivo desmistificar a história é traze-la em comício
311
Índigenas soluçōes do sentimento
ainda tardio, sonho-me em matas como quem inventa, indigena, os caminhos da alma
e permito-me taba de todas as minhas vias, as que partem do sonho e as que viajam a vida
nada como deixar-se inteiro nas artimanhas consentidas
290
Liames da construção do tempo
o futuro quando visto de longe trafega o coração sem saber por onde
é que adormece na emoção de quem sente como se fora cadeia de prender o tempo
no entanto, adredemente, o futuro é uma cadeia de abraços que a gente faz no presente
264
Dos rasteiros céus de quem procura
o céu é só um grito de quem, terreno, quer deixar-se infinito e sonhar todos os ares como um gesto incontido
rasteiro, em verdade, habita nosso peito vestido de liberdade
316
crianças em rompante lúdico
crianças são bandeiras para tremular no homem a vida inteira
não lhes cabe a fome nem as contraditas mais o voo infante das alegrias debruçadas na vida
que todas esqueçam nos risos de suas faces o futuro sólido dos abraços que inventem pelas cidades
266
Pátrias em desaconchego
ao país de-se a complacência de tê-lo como pátrio por simples conveniência
é que caber-se no mundo como uma pátria una supōe viver todos os sonhos distribuídos na luta
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.