Das desavenças do verso em limites
o universo diz que se expande e nem demonstra dizer para onde e o verso limitado no colo do seu rito discute a parcimônia e a estranha avareza do infinito
Da operária tração da fome
meus irmãos dormem na fome das usinas negras de capitais insones seus vínculos abstratamente tangem a exploração em furtivas correntes e criando a riqueza o homem, faminto, palmilha seu estômago como um grave labirinto
da velhice como invento recorrente
que o tempo esquecido pela face possa dar-se ao registro de todas as lágrimas e todos os sorrisos e neste inventário de rugas e trejeitos tragamos como invento as alegrias do peito
De generais e fardas
o general guarda na farda o verde-oliva e alheias pátrias tudo que tange é a marcha das muitas continências adredemente desarmadas
Das bancárias contrações da vida
é preciso viver apesar de tudo todas as tratativas com o mundo e os recados passados nos ombros dos desejos são apenas descontos das contas do medo cuidar dos contratos da vida é deixar-se tarde pelo cedo
Paterna consideração em formas
meu pai, vivo em mim tange todos meus enredos os que correm na alegria os que espantam o medo
Das coletivas manhas do um
ocorro onde menos morro trazer-me assim é o esforço de dizer-me outro ao lado do povo a ilusão de ser um é a compreensão de todos cada unidade é um jeito do todo
versejo normativo em ruas tortas
de que me serve a forma se a palavra teima em ser a norma? de que me vale a norma se a verdade não importa? melhor chutar o verso nos ombros da revolta
Ao Camarada Engels em mar aberto
o camarada Engels nem sabia as léguas todas de si em que morria talvez por permitir que no jeito do horizonte houvesse todas as jangadas de atravessar o longe e vige hoje, ainda barco, atravessando todos os ontens
Latinas manhãs de mim
latino não me constrange ser mesmo rio ainda mangue latino não me convoca um tempo de inanição e sem revolta latino nada me instiga a ser recorrente e sem malícia latino nunca exsurge o riso longevo do que pude latino não me constata uma eternidade baldia quase matemática é que o amanhã alonja quem ainda tarda latino eis a contradição: a mente inventa o sonho que escorre pelas mãos
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.