Do amor em vínculo recorrente
medir o vínculo nos palmos da vida é exercer o outro em desmedidas em que cada nexo é um imenso laço e a confluência exata de nosso abraço amar é um gorjeio abstrato de todos nossos pássaros
Sertōes roçados em humana glosa
o sertão nos braços do tempo é um sol disfarçado impunemente os desertos de si ardem em arremedo no roçado de homens que vivem seu medo o sertão é quase um comício da terra em seu enredo
Das cirandas da vida
a ciranda é um abraço incontido que o povo cantando dá nos abraços do infinito é um canto declarado das incertezas da vida e do desejo de leva-las às certezas que consiga a ciranda é só um passo da felicidade coletiva
Da passeata em procissão avessa
a passeata é uma procissão avessa todas as rezas são punhos sem promessas tudo que a tange é uma vontade expressa de construir o futuro nas ruas que atravessa a passeata é só uma procissão dos gritos da paciência
Das contumazes brechas do destino
os caminhos postos no horizonte nem sempre igualam-se aos desejos quânticos a vontade é uma alavanca lúdica que exercita futuros nos rumos que executa o itinerário da vida é só um destinatário dos correios indizíveis do nosso inventário
Das coletivas nuvens da vida
a nuvem trêmula é uma bandeira difusa dos céus atravessados pela constância da luta assim como nublada nem adivinha as nuvens mais densas daqueles que caminham é que os rompantes do tempo quando coletivos dão-se à vida tendem às tempestades das nuvens em que se criam
Da quadratura circular da reta
Na mão do menino o lápis manifesta a ingênua intrusão de uma geometria avessa a sombra no papel sorrateira, manifesta a improvável visão da quadratura circular da reta as hipotenusas, indefesas restam no papel embrulhadas na incerteza
Dosagens verbais
os et ceteras amiúde são todos os verbos que não pude ou por tecê-los tão avaros ou certamente por tê-los rangidos entre os dentes é que os verbos de repente enganam os fatos de que se ressentem
Viveres em contrações e largos
viver é um resumo incontido de todos os detalhes do infinito espalhar-se na vida é detalhar esse resumo e tangê-lo impune pelas costas do mundo
Dos cangaços de mim
cangaceiro deixo-me aos ventos com todos os fuzis do pensamento o verbo é o calibre dos avarandados em que me tenho livre a mochila guarda o futuro e a estrada e a vontade de estendê-los pelas madrugadas
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.