Sentimental digressão em dialética performance
assim que me trago nos ombros do que sinto como não ser dialético nas curvas desse labirinto as encruzilhadas do peito nas farturas dos caminhos carecem de certo escopo para decretarem-se destino o leme do melhor esforço dirige o rumo dos sentidos nada que não seja novo terá a cepa dos sorrisos
Das lavraturas do poema em roçados aparentes
assim lavrado no eito das palavras o poema é um roçado nos canteiros da alma flui tão desenfreado pelas bordas da consciência como um rio encantado que desemboca de repente o poema é um recado bordado dentro da gente ao poeta cabe colhe-lo e bebe-lo como semente
Dos voos pássaros em aviônicas lavras
o avião é um pássaro exato todos seus ângulos são cronometrados o pássaro é um avião diverso suas asas é que medem os palmos do universo pássaro e avião, em suas revoadas, espalham o verso em rasantes palavras
Do poema e sua infringência teológica
o poema não se mede com a régua volátil das preces suas léguas resumidas parcelam os infinitos do que digam não há céus dispostos a arcar com seus arbítrios
Desmond Tutu em itinerâncias
Desmond nem sabia das léguas de tudo que espalhava, em gestos, pelas costas do mundo verdadeiro, não media, a persistência do ato em que se dizia é que sobrava verdade nas carnes em que vivia como cidadão itinerante do Mundo Rainha.
À guisa de samba em bemóis verbais
no meio da noite desatado como uma cachoeira incontida o samba acorda a madrugada enchendo de favela a avenida e o surdo cantando pelo vento imita os corações em seu compasso tamborins entoam seus lamentos voando nas mãos todos seus pássaros o samba é um comício recorrente da vontade de todos os abraços
De almas e cursos em sonhos da vontade
almas não usam máscaras almas sentem as marcas as que construimos nos sonhos as que fabricamos na prática os cursos de suas fontes são os rios da vontade os que desaguam no tempo os que navegam a liberdade vivê-los em todos os caminhos é a forma exata de abraçá-las
Volitivo manifesto em gesta
e assim que a vontade tenha o jeito manso de fato possa o homem debruçar-se nos futuros que acate é que no desvão do tempo nas parcimônias dos gestos a vida apequena o incenso que sempre joga nos protestos o futuro não é um tempo é um espreguiçar-se do universo
O engenho humano em corrente temporada
nos aconchegos do tempo dos ontens e agoras dá-se a chance de pavimentar o curso da história o antes, assim modelo, de reprimir os enganos o agora, como fábrica, de futuros e de planos tudo isso, ainda sempre, nas horas do engenho humano
Do candomblé em rumpis intensos
no meio do tambor perambula o coração em todas as consequências dos vieses da razão nos ombros dos passos nas ondas do pensamento manhãs anoitecem a vida nas varandas do tempo a energia gravita enorme como um humano catavento
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.