a culpa não é indício de que se deva cumprir seus algoritmos
os lances da lógica às vezes distorcem as lógicas vontades em que se postam
o dever interno é uma porta escancaradamente difícil e exposta
163
Do riso em vertente
rasgo os dias como a ventania e tanjo todas as horas como uma alegria rio de mim tão constantemente que me permito sujeito mesmo ausente
o riso, adredemente, é um invólucro da vida a que se consente gastá-lo é desperdício da tristeza recorrente
213
Da semeadura da vida no tráfego do medo
a angústia é só placebo de quem transita pelo medo
fugir é só um enredo de quem se habita em segredo
o confronto é só um jeito de semear a vida em todos seus canteiros
153
Memorial do frevo em caminhada
o frevo assim compassado pelas ladeiras de Olinda parece o povo tangendo os contratempos da vida
inventando nos seus passos os compassos da avenida deixando pelos caminhos uma saudade indecisa que esquece todos os passados pelos futuros que organiza
o frevo é um grande abraço nas memórias em que se pisa
208
Das coletivas vazões de cada um
vírus de mim dou-me à empresa de desfazer-me coletivo em todas as minhas cepas
e de trazer-me tanto a memória é tanta que multiplica minha vida como lúdica esperança
tudo que vige enfim é um controverso destino saio cedo de mim nas tardes em que vivo
141
A sólida noção do tempo
o descaso do tempo em ter-se como tarde mistifica a noção da velocidade
tudo que despreza vira saudade pedras esvoaçantes transeuntes da vontade
o tempo é quase sólido e nem sabe
73
Cachoeira da vida em sono desatado
e nas encostas do sonho assim como uma nascente o futuro é quase um rio de extravagante corrente que sobe e desce o espaço na vontade do vivente e perde-se inteiro no sono nas cachoeiras da gente
é difícil navegar exato nas oníricas vertentes
104
Do povo como tangente
o povo escrito na praça é um verbo isento da mordaça
os passos ensaiam o futuro como um manifesto valor-de-uso
e a história bóia na rua como uma bandeira exata de todas as larguras
92
Dos reversos tempos do amor
a noite partiu dos olhos da amada e deixou-se derramar como madrugada
o tempo embutiu seu enredo e espalhou-se infinito pelo vão dos dedos
nos edredons do abraço o amor pousou inteiro
186
Inteligência em artificiais escambos
artificial a inteligência estaca nos meandros vocais da máquina
sussura renitente e escolástica algoritmos incapazes da prática
e o homem desata como figurante todos os nós da primitiva e artificial jornada
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.