no meio da sala como partícula ou onda o futuro habita a matéria como uma aguda sombra
o tempo exposto a impropérios esquece a performance do novo e do velho
e o mundo gravita quântico todos os sonhos em que estejamos
75
Caminhar em clara insistência
e quando alinhava os degraus que consumia a escada era só o beco que a vida permitia
e toda a caminhada pelas ladeiras impostas era só um acostumar-se a desrespeitar todas as portas que a luta teima em colocar quando o futuro é a resposta
os passos são só detalhes do peso que se suporta
66
Da propriedade em mundial avença
a propriedade privada em seu recato esconde a origem dos seus pactos
fogem-lhe da memória antigos fatos da pertença geral dos seus estados
e o mundo explode todos seus enfados na disputa da vida pelas antigas vias do contrato
140
Paisagem avara do torturado
suas mãos grávidas de sangue cuspiam manhãs no futuro envoltas em sonho e o fogo do coração lanhado e em farpas queimava o medo como aval do segredo de todos os camaradas
82
Usucapião vivente sem escalas
a vida tangida em vagas nunca deixa os mares de suas marcas
e flui no tempo como jangada dos lemes que cada um maneja em sua fala
e de vê-la só um tempo em recorrente escala o homem esquece a vida nos ombros das palavras
67
Razões internas em claro vaticínio
I
o começo é um fim avesso ambos medem-se pelo tamanho do medo
o fim é o começo de tudo o começo é o fim do nada basta molhar a palavra com a certeza da alma e tanger como sempre os rumos da vontade
II
trago no bolso uma vontade intacta de nunca parecer-me à matemática
de meus ângulos sequer admito que os tenha postos em prontidão e jeito de tornar possível a soma daquilo que vai pelo peito
meu número é intranseunte de frações sempre sonho-me intenso pelas manhãs
fujo de hipotenusas pelo concavo das mãos e moldo meus números com a desfaçatez e a parcimônia de quem nem dorme quando sonha
41
Do amor em bússolas e tempos
no silêncio dos mapas gerais do pensamento a vida flutua unânime todos os barcos do tempo
e o amor é um timão confuso que teima todos os nortes das bússolas do seu curso
amar é um projeto trançado na paciência de quem constroi no outro os andaimes da presença
81
Das raízes infantis da esperança
desde menino dei-me sempre à constância de envelhecer abraçado à esperança o tempo foi só uma insistência das construções de mim nessa permanência
192
Dos solilóquios do tempo
esperar não é penar é só um jeito de estar consigo é que a gente esquece nas gavetas do tempo de concentrar os sentidos e remoer as esperas nos degraus da vida como um prazer consentido
87
Palestina em jornada
na Palestina as pedras voam - pássaros da luta - como garças vestidas de um horizonte intenso em que o povo dorme nos travesseiros do tempo escutando a voz e o curso das vontades largas das estradas do futuro
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.