e somos tanto a cada hora em que o peito pula para afagar a história e consumi-la avante como uma bula exata de tudo que a manhã resvala pelo vão da pátria
96
Gaza em pedaços
atravessada na noite Gaza é uma síncope uma vergonha humana estraçalhada em seus limites
bombas e humanos entrelaçados explodem a razão de econômicos enfados
e assim que é dia Gaza é um tempo estrangulado
76
O futuro como unidade quântica
cada um será tudo na estrada coletiva do futuro
cada todos será uno a compleição geral de todo rumo
os contrários serão tantos na dialética feição do nosso canto
76
Dos tempos em mudança
mudar é só um jeito de construir andaimes nas larguras do peito
é como inventar o novo em atos e desejos como figurante intenso das artimanhas do medo
é como deixar-se tarde nas parcimônias do cedo
65
Palestina vida de todo futuro
no vão de toda vida há sempre uma Palestina engasgada nas palavras nos poemas e nas esquinas
e nos ombros das praças pelos cantos do mundo campeia uma semente dos roçados de tudo
palestinos plantam a luta com um gosto de futuro
70
Correntezas em abalada chama
branca a injustiça escorre como negra na notícia
tudo que lhe tange é a ânsia exata de instalar a escravidão pelas calçadas
o tiro é só palavra de quem apodrece a vida nos desvãos da fala
um dia, de repente, a multidão nem cala construindo, multicolorida, a vastidão das almas
51
Meninos da pátria
o corpo menino marca o tempo e a fome é só um lapso que infinita a dor no pensamento
a razão é um relance que escorre do olhar como uma dança
o menino tange a fome numa monótona esperança
65
dos passos e destempos
a bailarina em segredo voa nos passos nosso medo
nos seus saltos desavisadamente o olho pulsa um tempo de repente
a dançarina impunemente dança o futuro e nem pressente.
123
Operação
negra a noite estreita os alvos negros em que se deita
a morte oficial e insuspeita alinhava o crime como enfeite
e segue a vida envolta em fardas matar é só um estado de canalhas
32
pequena alusão ao meu país II
no meu país por sobre a face dos homens cresce uma vergonha intensa que mesmo muda, às vezes convence de que é preciso à força assassinar o sentimento
no meu país as palavras já não bastam seus sons perdem-se nas madrugadas no cansaço dos corpos na ausência dos abraços
no meu país existe uma fome infinita espreitando os homens nas esquinas
e a terra com um soluço imenso guarda o peso dos homens no mais vão de sua consistência
no meu país os homens já não choram as lágrimas boiam perdidas nas estradas da memória
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.