Olga tinha nas faces todas as verdades em que lutasse
íntima do futuro discursava a luta como um verbo farto livre e sem culpas
e num abril morta em sua carne deixou-se pela história como uma grande nave
Olga era um rompante da vida em sua grave humanidade
145
Leituras da vida em regras literárias
e de ler-se a vida em cada dia como página traga-se como rasgada a dos destemperos da alma
siga folheando com a vontade nas costas e consumindo-se farto nos calcanhares das horas
e nesse folhear resgate-se a esperança de escrever-se futuro nos passados que alcance
90
Do morto em indolores torturas
a morte escapa do porto no espaço biológico do morto
no navio insurgente o torturador mergulha os restos de gente
e a vida segue decadente até que uma quilha arrebente
101
Ravel em bemóis de garças esvoaçantes
Ravel desafia o destino nas notas que repete como um labirinto
e desacata o ritmo com a sofreguidão intacta de todos os bemóis que alinhavam sua pauta
e o bolero ressoa no horizonte como uma garça introvertida que tenta, aos poucos, no seu voo voar todos os ares da vida
36
João Sebastião Bach, camponês de pautas
Bach bastava-se nas notas como um camponês errante nos roçados da pauta e tangia bemóis como um astronauta que tocasse no cosmos os sinos da alma
João Sebastião nem percebia que a música, eterna, jorrava pelos dias e jogava-se nos tempos como ventania
e ao fundo, transitava as mágoas como um leirão de todos seus roçados
44
Chopin em degraus e enchentes
Chopin criando no meio dos tons tece palavras e claves nos ombros do som e a música drapejando nos ventos desemboca lírica e lúdica no pensamento e o ouvido dorme ternamente e vira cachoeira em nossa mente
a música é chicote manso de tanger a gente.
55
Memorando ao trabalho
prezado senhor ou suor agora queira tomar meu corpo como escola
e não me pare enquanto a vida correr no meu punho pelas avenidas
e não me deixe sobrar do povo que do suor da luta constroi o novo
92
Profissão de fé em rasgo intenso
mesmo que o chicote corte-me toda a face eu seguirei cantando pois não sou um, sou vários habitam em mim meus irmãos e tudo que lhes cabe e não será uma simples morte que cortará esses meus passos
82
Da morte em circunlóquio
no cadáver a paz existe antes da matéria posta em cabides que fez-se assim velha que cansou de ser triste
não dessas tristezas que se jogam no lixo mas a tristeza construída dos ossos do ofício
uma pedra jogada com rumo inconsciente e que de paz somente guarda um ato já ausente
106
Do grito em arrazoada messe
eu quero que o grito queira ser palavra no comício
eu quero que o grito possa ser palavra no infinito
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.