eu saberei boiar nos teus olhos como um náufrago amanhecido e consumir todas as manhãs possíveis na infinitude temporal do teu sorriso e chorarei todas as tuas dores navegante intenso do teu pranto e morarei em todos teus adeuses e nascerei em cada novo encontro e enquanto as luas tremularem outras luas eu trarei no peito para jogar no colo do teu olho que me saberá sempre a entendê-lo minhas mãos serão bandeiras tuas em qualquer vento que me pouses e tuas mãos serão em cada encontro os corrimãos da vida que me coube e mesmo que não a paz alguma calma te trarei nos braços e em outras âncoras te farei contente com a parte de mim que me sobrasse eu te darei azuis mesmo que a noite seja tanta e mesmo que não tenhas estrelas eu saberei conte-las no teu canto e nunca porque seja assim tão drasticamente consumido acredites que eu em ti não seja da largura exata do infinito eu saberei morar no teu corpo com a necessidade de um flagelado e habitarás meu peito inteiro com a certeza intacta dos abraços eu saberei morar em teu desejo inquilino frequente da vontade e irei decompor-me em muitas almas para que tenha tua alma em meu regaço e até que eu tenha condição de mim e circunstâncias de viver você eu sonharei assim impunemente as felicidades que em mim couberem e caberei em cada palmo teu nas léguas que constróis em cada sono e dormirei em mim todo teu corpo e habitarei em ti todo teu sonho e morrerás em mim quando eu morrer de ti com a certeza inequívoca de que nunca morri.
231
Cachoeiras em trânsito nos desmaios do mundo
a cachoeira desmaia o rio como uma cabeleira de líquida textura e franze a natureza nesse desmaiar seus saltos das alturas é que é pouca sua calma nas costas do mundo seu rugido é só anúncio da sua ânsia de tudo
a cachoeira nem sabe que é um rio em decúbito
95
Genocídio com crápulas e dores
tanger a morte é o indício da passeata maior do genocídio
crápulas em comício matam a verdade e assassinam os gritos
e a dor como um ofício ressoa nas ruas como triste armistício
107
Da vacina ideal em rumo de tantos
vacino a vida com o vírus vivo de tudo que me faz plural e coletivo
e navegando em tantos imunizo-me farto das incoerências humanas dos ditos e dos fatos
e deixo-me são embora outro gravado em mim nas costas do povo
51
Do futuro em vegetal rompante
na árvore do tempo pendurados em seus galhos os homens balançam o futuro dos fatos
o vento anuncia o farfalhar da vida e as escaramuças das galhas perdidas
na noite do tempo montados em muros os homens inventam de amadurecer o futuro
112
Paisagem em humana lida
a paisagem é balsa nos rios do olhar em que se basta
curva mente-se reta no horizonte agudo em que se deita
e o homem como usina de tudo inventa paisagens nas costas do mundo
107
Marinha descritiva
nos mares que navegas mesmo em segredo há que deixar em terra as jangadas do medo
é que dentro de nós a onda é só um jeito meio desarrumado do mar estufar o peito
98
Dos passos e demoras do fim
a conjuntura é só um passo dos caminhos que o fim põe em nossos braços
vê-la sozinha nos ombros do tempo é não tê-la só atalho do momento o fim gosta de demorar todas as conjunturas em que combatemos
89
Da luz em vida desgarrada
jogada no mundo a luz planeja todos os elétrons em que esteja
dada ao palco não habita coxias antes discursa clarões em franca sinergia
a luz como a vida arquiteta o sonho claro de estar sempre amanhecida
212
Das humanas vazões do futuro
dê-se o contrato: tudo que do homem permaneça em atos cumpra a função de tantos em favor de todos como cláusula de fato
cumpra-se o dito: tudo que vier do homem assim construído permaneça em todos jacente como definitivo armistício
e siga a vida a mudança que persegue o infinito de sermos todos nós abraçados neste rito
o conflito que precede a trama é só um alvoroço coletivo e o caminho que lhe derrama é compostura do humano ofício
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.