a luta é um ba-guá recorrente pinta todas as cores do futuro que se sente e ainda inventa bandeiras com as certezas das gentes e quando solta nas ruas joga o mundo lá na frente
112
Do futuro como presente
nas manhãs do futuro estarei presente nos ombros de todos apesar de ausente é que pedaços da gente perambulam no tempo como íons intrometidos em memórias viventes
e o futuro começa hoje na luta de quem o sente é assim como uma cachoeira caudalosa e recorrente
106
Pandemia em ritmo e amostras
a morte expurga os detalhes e indícios de prorrogar a vida em claro genocídio
bestas tangidas como humanas cópias atravessam as ruas como falsas lógicas
e os homens tangem a história na exatidão dos tempos abraçados à demora
78
Pandêmica jornada
e o ar da noite nas costas do tempo infla a solidão no pensamento a pandemia impede a vida consumida no povo e nas avenidas o futuro só espia pelas frestas da luta a proximidade intensa da imensa alegria.
119
Da fome em trânsito de lucros e vergonha
amarrotados, em colo materno, o menino e a fome enchem a rua de berros
o cenário estampa nos autos uma vergonha grávida de horror e sobressaltos
e a fome transita, envergonhada e incólume, nas cordilheiras dos lucros das ruas em que corre
93
Estradas em invenção desatada
caminhar é só um passo das estradas que pulsam em nossos braços
espalhá-las pelos caminhos é como consumir todos os destinos
transeuntes de nossas direções o vento desarruma os arrepios das emoções
inventar estradas é só arrumar o nosso vão
113
Histórica vazão em rasa conversa
a história a cada dia pousa na verdade como uma andorinha tenaz da liberdade
pousada nos ombros da razão dói os quilos de vergonha de quem a tem em vão
e seus reclamos na pauta da vida resgatam os viventes em suas investidas
cavalga-la a cada momento é percebê-la pelas esquinas
74
Do vazio em declarada sugestão
o vazio é só um indício dos esconderijos do infinito
pesa no indivíduo todas as montanhas que estão consigo
palmilha-lo é artifício de quem é transeunte de seus precipícios
ao homem cabe brincar todos seus infinitos
110
das leis e armas e privado canto
minha lei é a vida e tudo que a diga coletiva
minha arma é a luta e tudo que a grite pelas ruas
minha fala é o tempo e a palavra de todos em que me tenho
meu viver é tanto o quanto de mim eu canto
103
Da passeata em corrente pulsação
na passeata o coração procura inventar as pulsações no ritmo da luta
a marcha como uma bandeira humana drapeja todos os risos como uma intensa chama
e o homem trazendo-se à vida acaricia o futuro no peito da avenida.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.