no ônibus em vasta confluência o operário alinhava sua paciência
as carnes e uma ansiedade exata lavram os suores de quem se sabe máquina
e a cidade murmura apressada os sons da exploração pelas paradas
o operário tramita a vida como uma estranha debandada
75
Sonho em manifesta gestão
a poesia é um arrepio da palavra em verbos que agitam os cabelos da alma
a poesia é um recado adrede alinhavado nos corações em que se perde
a poesia é um gesto e tudo em que o sonho é manifesto
vive-la é só o manuseio do onírico protesto
66
País dizente das pátrias gerais da vida
o país é só um mapa que traçamos no peito como marca
na verdade é confluência dos enredos que a vida constrói na consciência
o verdadeiro país é o infinito a pátria geral dos homens em todos os sentidos
vive-lo agora é só um momento enquanto o futuro não vingue
96
Desejos em arrazoada latência
simbólico o caminho argumenta todas as estradas que os desejos tentam
fluem em doses intensas como uma cachoeira enorme na consciência
e desembocam em trilhas e medos como um pensamento baldio perdido pelos becos
ainda bem que há deles em que dirigimos seu enredo
88
Encruzilhadas em diversa visão
Nas esquinas da vida há sempre várias rotas umas de abrir o tempo outras de fechar as portas é que a vida é encruzilhada de infinitas respostas tudo que é de todos é o que, em nós, importa.
67
Nacional tramitação de povo e liberdade
à deriva o país aderna como uma nau envergonhada e introspecta
os homens nessa viagem naufragam em si e trôpegos engolem a realidade
e o tempo ainda novo constrói a moenda da verdade adivinhando no povo as quilhas da liberdade nesses mares tempestivos em que só a luta nade
83
Vivências em hodierna trama
era um tempo tão sempre que me deixei para depois
as horas de mim são futuros vividos nas esquinas das ruas e dos meus sentidos
nada do que vivo deixa de ser preciso a vida é só o laço dos cabrestos do infinito.
118
Das inadimplências focais
o olho em ondas cronometra a paisagem como um labirinto indigente das culpas da imagem
joga ao cérebro como uma ciranda os verdes do mundo e todas suas sombras
a mente, exausta, procura o jeito da vida e no peito da mata foca, sombria e dividida, o retrato queimado de todas suas vistas
129
Do povo em marcha resumida
e no roldão das ruas cerzido às horas o povo caminha a vida em faltas e demoras
esmagado pelas vias permite-se em licenças e ri um rito atônito de quem vive em urgências
e há dias tantos em que acorda e dá um laço enfeitado nos cabelos da história
92
Cordel de viver frequente
há que girar o mundo como navega a mente e em cosmos encontrar um dorso competente para balançar os futuros de todos esses viventes
e assim como uma ciranda das coisas que se sente possa o tempo alinhavar as horas em que assente como um bemol esparramado na pauta de toda gente
e viaje todos os rumos em sentido consequente frutificando a razão com a luta nos dentes como se fosse um sertão saindo dessa nascente
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.