e nas madrugadas boiando no povo o futuro argumenta um mundo novo
resvala nas ruas num comício exato de palavras e gestos de inventos e atos
e a paz, guerreira, sobe aos ombros da noite e tremula um canto como bandeira
e, por fim, acostumada dorme com o futuro pelas calçadas
62
Remanso do povo em clara sinergia
meu povo pulsa o país como uma enchente dos rios todos da vida em que se consente
voa por ares que nem sabia e pousa sempre liberto no peito da ventania
é que o futuro ri o mundo mesmo que agora grite assim como quem em tudo mantém a vida em riste
49
Impetrações da vida em ritmo corrente
lavro a petição em verbos urgentes ante todos os embargos que a vida apresente
e nesse pugnar eis que me advirto que o sonho é ação impetrável e decido: sonhar é um direito de estar sempre comigo
ao próximo reste a luta e as ações que construo como ofício
87
Dos degraus vigentes da lei
a lei solta nas ruas é uma ordem avessa ao que pontua
é que faze-la é só um tempo de remendar o poder e seus intentos
a lei quando só palavra é apenas um indício dos futuros em que acaba
63
Poemeto em gramatical aclive
os adjetivos substantivam quando em mim estou escrito
pesco a razão nos estribilhos e distribuo verbos em armistício
o poema é só um tempo de estar comigo montando advérbios nas letras que consigo
133
Da virtualidade e seus prospectos
virtual a vida prolata todos os desejos como uma máquina
o olho é só instrumento de alinhavar pixels no pensamento
e a vida boia em eletrons como se fora um barco de fluidos projetos
e o homem segue como mouse de todos seus infernos
67
Paisagem II
Por trás das nuvens o sol olhava escondido as luzes que havia posto nos ombros do infinito
105
Provecta ilação
idoso dou-me ao tempo como um passarinho nas costas do vento tudo que me conta é o futuro que invento
dos anos sei apenas da história da cordilheira de sonhos que vivi nessas horas.
122
Das direções do medo e outras vias
as manhãs do medo nascem vadias nas entrelinhas das horas em que não se vivia tangendo a memória por passadas vias
e a ânsia desborda a simples monotonia de quem sonha um tempo em que não se dizia
lembrar adredemente o futuro é consumo exato da alegria
100
Caminhada de viventes em caminhos impostos
quando o caminho da vida lá dentro da gente é só um beco fortuito daquilo que se sente
perdura exato na dúvida como encruzilhada e destrói as ilações na dialética que abraça
caminhos assim serão sempre essa ilusão das estradas que nunca levam ao tanto mas completam a jornada como se o destino custasse o desconforto da alma.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.