a condição mulher diga-se grávida das coisas do humano em tudo que declara as que venham do corpo as que tenham da alma
é que usina do mundo em fêmea estrutura é um parto até de si nessa humana urdidura
a mulher alinhava a vida como uma jornada lúdica em que constrói os homens na vastidão de suas ruas
113
Das enchentes de vida e viventes
os rios de todos em enchentes desaguam nos mares como nascentes
um oceano maior de humana consistência como se fosse um vendaval das brisas da consciência
é que só se é tanto humano quando todos são tanto que naveguem a vida nos rios que todos navegamos
99
Para Isis
a menina, no seu riso, tange quase o mundo como se fora um brinquedo das larguras de tudo
das léguas de seu jeito espalhadas no tempo ressoa a humanidade nas faces e nos ventos
Isis é sempre uma bandeira de inventar-nos contentes
87
Ensimesmada alusão aos cálculos de mim
diviso todas as divisões em que não me divido ter-me uno é a partição do que preciso
as divisas do tempo são únicas as de que me invisto por todas multiplicações do que faço e digo
e essa fruição é a fração exata de estar comigo
138
Das ranhuras da pele em saga vigente
insubmissa e gasta a pele retratava as léguas da vida em que se gastava
seus desenhos humanamente alinhavados retratam as costuras que futuram seu passado
a pele é só uma moldura que habita nosso quadro
77
Ode aos professores
no meio da sala o homem discursa os verbos da paz as palavras da luta
nos ouvidos, em calados gritos, a fala intenta todos os sentidos
o professor, grávido do mundo, ensina a si o seu ofício
99
Pedras em constante intermédio
as pedras usam o tempo como um invólucro inerte e displicente
é que lhes custam uma memória, quando descuidadas, dos tamanhos da vida das histórias que guardam
e testemunhas, constrangidas nem declaram as vicissitudes do homem que as espalham
42
Das tangências do triste em comento
minha crise é estar sorrindo e em riste mesmo quando triste
nada do que não é futuro me permite ter o tempo à mão quando a tristeza insiste é que rir é um projeto dos caminhos intensos de quem espanta a dor com trejeitos de vento
sorrir deixa rastros nas estradas do tempo.
53
Poema
poetas não serão presidentes falta-lhes a mania de construir presentes
poetas não serão presidentes porque suas manhãs são noites transigentes
poetas não serão presidentes é que presidir verbos é coisa de quem sente.
77
Pequena autocrítica
minhas culpas trago-as todas em desculpas quando melhor não fora tê-las como justas
minhas culpas levo-as todas em desuso quando melhor não fora vive-las como sustos
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.