o homem desce da noite e incorpora a pátria como um grito ilógico de quem se cala
a terra em marcha, no coração vivente, é um gesto cívico de continência recorrente
e a pátria no meio do tudo, é só um transeunte esperando o futuro
77
Futurista intenção da temporal jornada
o amanhã será tanto que sobrará futuro pelos cantos e o tempo dir-se-á por todos como se fora um riso na boca do povo
o amanhã será quase um hoje em que nascerão sementes do que já nem houve
viver esse amanhã é senti-lo desde ontem nas avenças do novo
90
Fracionária feição do tudo
a fração escapa como um gesto inteiro de quem não calcula os meandros do seu jeito
e da matemática desfaz-se em tangentes como se fora atalho das estradas da mente
é que o tudo é fração de quem é vivente e nos bordados da vida nem se pressente
84
Nos virtuais degraus da vida
a lógica virtual mede a urgência como se fora um degrau da paciência
quântica e translúcida a energia violenta como se fora um cabresto dos campos da consciência
e o homem clonado esquece a memória no invisível carrossel de sua história
73
Regras do vindouro em mansa simetria
no raso da vontade mergulho fundo os mares que intrometo nos ombros de tudo
raras as manhãs em que me percebo assim construído nas àguas do medo
ainda bem que o futuro é meu eterno brinquedo
64
Dos alteres da vida
quando assim parecer um jeito tão de naufrágio possa o tempo nascer dos minutos navegados e dizer-se rumo da vida e desdizer os enfados que os neurônios inventam nas esquinas da idade
é que a vida é só exercício nas academias da vontade
38
De Olinda recatada no calado do frevo
o frevo assim calado nos ventos da pandemia estanca milhões de passos nos ombros das avenidas e leva, assim de roldão, um bom pedaço da vida
é que o grito do carnaval quando se alastra no peito é uma represa de gente prendendo o passo do frevo é assim uma coragem fantasiada de medo
Olinda engole calada a sombra do seu enredo
83
Da palavra em diverso plano
a palavra é um tanto avara nem tudo que diz às vezes declara
é que espelho de um ato profuso voa como simples em complexo uso e soa como presente adivinhando futuros
e quem a traz fugindo da boca nem percebe a viagem e as inversões de quem a ouça
93
Da natureza em descalabro
a natureza estendida no lucro desfaz-se humana no absurdo
como a vida, tramita o mundo na incoerência formal de seu conteúdo
o homem engole o futuro nos atos que intromete em seus discursos e caminha célere um tempo de abuso
127
Das delações da vida em trâmite privado
nos meio dos atos cada um retrata as várias razões em que naufraga e pulsa nas ruas os rios e rumos dos sonhos que navega nas costas do mundo
no meio dos atos cada um tremula as bandeiras da vida nos mastros da luta
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.