Das conveniências do sono em ritmo alheio
jogo às manhãs os restos da noite como quem garimpa o tempo na luta do povo e nas costas da madrugada perdura o conforto da certeza do futuro e a ilusão intensa do novo como é bom acordar no sonho dos outros !
Algoritmo temporal dos futuros em tese
vivente das horas o tempo trafega como um lapso temporal de nossas esperas urde no crânio um labirinto exato dos futuros que guarda em seu regaço e quase sempre anoitece quando ainda somos tarde
Pião de mim em brinquedo
infante meu pião sabia todos os verbos do que me dizia é que girando rodava meu mundo e pintava na terra os destinos de tudo hoje, meu pião cogita declarar-se guerrilheiro rodando no vão dos sonhos em que me semeio
Pacífica redação de uma paz ausente
ainda bruta a paz labuta em todas as guerras que a lutam bólides e bulas de acordos e rusgas canhões pacíficos da mortal disputa marcos e marcas de monetárias alças dos fuzis comprados com o suor da massa e assim adredemente difusa nas entrelinhas do mundo a paz abandona todos pelos caminhos de tudo
Da vivência e seu caudaloso rumo
admito a vida é só um exercício há que tê-la no próximo e vivê-la num ônus coletivo a razão de sofrê-la é só um indício de tangê-la sozinha por descaminhos e ritos admito em tudo que se explicita viver é só um espetáculo da construção coletiva ao homem cabe apenas arrumar o jeito da vida trazê-la nas cachoeiras dos rios em que desliza e desembocar nesses mares dos mundos de onde grita
Das humanas contrações do sentimento
humano deixo-me estar amando simples usina e chama daquilo que sonhamos do coração aos pulos pula a razão todos os muros e usineiro de mim amo o povo e a amada com todos os laivos da urgente madrugada
Resenha dos 69 em idade e volição
aos 69 tanjo o tempo e a liberdade com a simples compreensão de que sou tarde mas trago ainda nas mãos a chave exata da vontade o resto é remar a vida nos barcos em que me caiba
Marítima locução de ondas e viventes
quando rola na praia no colo de suas ondas o mar apenas discursa os ventos e suas sombras é que no leito, deitado, dessas areias e pedras dá-se como resguardo destas grávidas terras e transmite ao vivente esse desejo fugaz de inventar todas as ondas dos mares em que se traz e ao homem resta ser o mar das ondas todas do que faz
Da divina inclusão dos viventes
e deus na sua inexistência desgoverna o mundo em contritas avenças como se fora exata sua liquidez e permanência tudo que lhe delata é uma breve consciência e a necessidade urgente de conformação e paciência e dobram os sinos da vida na procissão do que se pensa
Pensar em debandada marcha solene
a razão é só um disfarce que a verdade intromete nas nervuras do fato joga a palavra em sonoras teses como co-autora do que a vida tece pensar é um caminhar solene naquilo em que, humano, se esquece
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.