a arte enfim não é só um contrato de afagar o cérebro e arrepiar as emoções em lúdicos sobressaltos
é uma mentira exata tangendo uma verdade que a gente traz por dentro e nem sabe
é uma verdade plena de quem constata sua feição de pluma e de máquina
a arte cabe inteira em todas as matemáticas
106
Das mortes e vidas em trajeto
volto à terra meus neurônios em estática pose de quem cumpriu a história e não mais se coube
passo de animal a mineral e outros estudado em cartilhas, genérico e quase todo
mas saio da vida um tanto endividado por ter arrecadado emoções em infinitas quantidades
morro como homem para viver no que me caiba
87
Da insuficiência lírica em discurso
meu eu lírico é louco e indeciso nunca administra unânime os verbos de comícios é que faltam palanques para ter-se contrito nas orações em que o poeta debulha seus escritos nesse rosário intransigente de tantos adjetivos
é que o verso às vezes intenta muito mais do que é preciso
141
da dosimetria do poema em franca síntese
sobre o poema resta a palavra e uma certa ilusão nos verbos de que trata o poeta só amplia a dosimetria da fala e léguas são palmos nos infinitos da alma
sobre o poema resta a vastidão dos metros que se tenha nos palmos do coração
385
Gritos, bandeiras e as mãos do futuro
gritos serão bandeiras em gargantas hasteadas para construir as esquinas da grande madrugada
mãos serão bastantes para todos os abraços e os afagos urgentes na liberdade que nasça
e os homens viverão a estranha matemática que faz de todos só um no dorso unânime da prática
alinhavar o futuro é jeito de astronauta
65
Da verdade em factual vigência
a verdade, seja dito, monta no fato escondida: é que há uns tempos de parecer relativa
a verdade acredita que o fato é só um barco onde se explicita nesses mares avaros em que habita
ao homem restam os indícios de vive-la como fato nas esquinas do possível
76
Das pedras em continência
assim empertigada nos ombros da natureza a pedra apenas comenta uma incauta certeza os ventos que equilibra em estática paisagem tem a insistência das pedras e a fluidez das miragens é como se o espaço montasse o tempo em que viaja
76
Antropofágica procissão em termos
antropofágico o sistema delata as ruas da morte que asfalta
exato canibal enganoso e mórbido desenha iscas para humanos bólides
e no meio do caminho nas rasuras do medo a vida regurgita o espaço na esperança de rompê-lo
128
meu tempo em resenha flagrante
pela manhã assim de repente o tempo esqueceu de estar contente e eu chorei as horas tão perdidamente que esqueci meus olhos nos ombros do presente
pela tarde assim vadia a vida boiou nos mares das ondas que eu dizia
à noite o futuro nasceu como o novo dia
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Elegia com saudade e ânimo
era primeiro o que não se tinha mas que havia e tanto um gosto avulso na cidade um tempo atravessado na garganta era um fastio grave e uma greve enorme de tudo aquilo que se sabe
logo depois num raciocínio mais afoito o que se tinha, tem-se e tanto na caverna mais rasa do esforço
salta nas mãos um objetivo magro de rasgar os sonhos com os dedos e remoer a vida num trago
e de repente a uma nesga do que se tinha grava-se o coração urgente num grito concreto de ânimo, carne e repente
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.