o amor é um poema avaro deixa-se estar a dois e perdulário comete-se nos infinitos em que se declara
o amor é um poema caro custa todas léguas que decorram dos enredos das palavras
é que o amor assim militante é uma usina inteira da alma
60
Da crise em rápida viagem
a crise é só um levante que a vida constrói como uma ponte
no seu desarrumado há uma ordem constante em que as respostas explodem nas dúvidas dos ontens
e as vidraças quebradas são janelas bastantes por onde o futuro voará como uma garça no horizonte
a crise é só um esgar em que a felicidade se esconde
73
Dos açudes líquidos e viventes
o açude é um mar retraído todas as suas ondas estão contidas é que o esforço em parecer pacífico cobra-lhe dos ombros o sacrifício precisa sempre estar calmo apesar de todos os conflitos
o açude da alma é extremamente lascivo arrebenta todos os mares para estar consigo
76
Da midiática vazão do sistema
na manchete o sistema diagrama os centímetros ineptos de neurônios e enganos
a frase inóspita posta necessária cabe no homem como resposta vária
e a informação como um fuzil troante dilacera a razão do pretenso pensante
informação é só um disfarce semeando letras e sangue
114
Pequena alusão à vida
minha direção é o tempo nas ranhuras do cansaço, o futuro é apenas o invólucro de todos os meus passos. tudo que me leva é a certeza incontida de construir meus abraços para enfeitar a vida
o povo é só o motivo que me deixa nessa lida.
242
A coletiva messe da paz
entre aflitos ninguém é neutro e sem grito tudo que tange a aflição ressoa coletivo desde a multidão até o indivíduo
a guerra é plenária de todos os sentidos nada subverte o modo de sabê-los decididos
97
Da coronariana vazão da vida
o coração nem sempre é pouco que um pouco de razão não lhe dê fôlego
o coração caminha avaro nas razões que pulsa em seu resguardo
o coração quase nunca é pouco que não caiba em seu vão um pouco do povo
101
Das origens e povo de rosa e gente
rosa originalmente de proteínas humanas plural processo e drama do progresso: substância
rosa plural menina contrariamente embrião e albumina do processo e do futuro constantemente
rosa povo futurável e urgente da fruta do novo como semente
77
das pendências regulares da vida
de tua face pende a vida insuspeita ordem de tua lida em construir um tempo em que decidas tê-la presa aos outros numa intensa desmedida
89
Discurso dos 29 anos
a vida aos 29 anos diz que está dada nos metros engolidos na certeza da estrada
não que esteja presumida em uma moldura intacta mas que começa no peito e se engravida da prática explodindo o coração no amor urgente da massa
a vida aos 29 anos carrega mil sonhos no bolso misturados a afetos molhado nas amarguras mas intensamente transparentes nos ombros da ditadura
a vida aos 29 anos é de um amor patente que se derrama pelo vão dos olhos que esmaga o coração por entre os dentes
dos 29 anos digam-se mil sofrendo dessa américa no meio do brasil
e neste tempo debulhado por entre os nós dos dedos por sobre o chão da face murcharam todos os medos
a vida agora é uma luta vivida frequentemente no meio da transformação que habita essa gente
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.