e nas ruas revel da vida a fome noticia a inumana lida
o estômago discursa impaciente verbos e ossos maldizentes
e o sistema engole voraz lucros, palavras e gente
254
das certezas de tudo
a possibilidade de tudo nunca é definida não há um tempo que lhe caiba sob medida para havê-la era preciso um metro que contivesse todos os palmos da vida e coubesse no desconforto de não se acabarem as desmedidas num tempo inexato e incontido de tudo que é infinito.
a possibilidade de tudo é apenas um jeito de viver-se avulso
241
Negritude em ritmo e caminhada
nos risos do povo com a noite escrita no corpo a vida tramita negra na intensa luta do novo
Zumbi, na usina do tempo, construindo a memória, inventa muitos palmares nas entrelinhas da história
e as áfricas de todos pulam nas origens negras das horas
231
Da itinerância ensimesmada da vida
atravessada na avenida como um coletivo discurso a vida é só uma resposta às perguntas do mundo
distribui-la avulsa em todos os enredos é percebê-la grávida apesar de todo medo
a vida é só um favor que fazemos a nós mesmos
278
do povo em grávida gestão da vida
o povo, aos solavancos, plantará o futuro nos exatos roçados dos abraços do mundo
e as razōes, assim vividas, debruçadas nos fatos, abrirão os portōes de todos os laços
a história, grávida do povo, caminhará todos seus passos
316
Dos cohibas manifestos em larga jornada
a fumaça nos ombros do cohiba escreve lembranças nos costados da vida
o ar em chamas parece bandeira abraçando todas as ilhas da noite brasileira
o charuto discursa o tempo nos lábios de quem queira
298
da latina américa e da prontidão
da américa com a faca nos dentes diga-se latino o gesto recorrente
e das cordilheiras dos tempos oprimidos resultem todos os andes que jazem nos sentidos
aprontar o futuro é tarefa e vaticínio
310
Dos tempos da pressa em lenta jornada
a pressa esconde-se do tempo como uma tardia manha do pensamento
o tempo aparentemente imutável alinhava as horas em seu vasto calendário
e a vontade, insistente e apressada, deixa os dias sem tempo para as madrugadas
297
Das construções do levante em pacífica tese
quando a crise ensaiar-se avante deite-se a manhã no colo do levante
e nos homens assim decidida encaminhe o mundo no sentido da vida
é que a revolta traz embutida uma paz em sementes adredemente construída
285
Da revolução em doses homeop(r)áticas
a revolução não é o desejo de achegar-se ao futuro dentro do peito
entende-la urgente como circunstância é não percebe-la estrada de larga itinerância
e que no desvão da prática, nas paredes da memória, o poder é só a ponta do novelo da história
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.