AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
310 741 Visualizações

Das larguras do tempo

Teço a vida
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
 
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
 
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
Ler poema completo
Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

526

das cores em desatada viagem

no dorso do tempo
como uma bravata
o pincel discursa a vida
nas cores que prolata 

transparente
a cor delata
a constância etérea
da prática 

a imagem, sobretudo,
joga o pintor, em cores,
nas profundezas do mundo
231

Dos avarandados celestes em vegetal vigília

e na varanda do céu
como um gesto disfarçado
a lua abraça a noite
e joga flores no espaço
291

viagem em torno da amada

é que quando visto
os ares do teu riso
deixo-me astronauta
de cada infinito
os que nem meço
e os que trago comigo

e dos sonhos que cometo
em mares que nem posso
atraco todas as naus
nos braços do teu porto
313

samba em liberdade e dependentes

o samba
escorrendo na avenida
é um tambor atravessado
na melodia da vida
é coisa solta de bemóis
que alinhavam o passado
nas costas de todos nós
transeuntes de escravos

e o cerne da liberdade
de canta-lo impunemente
é assim como uma saudade
do futuro que se sente
296

Mais uma vez, do tempo corrente

aos setenta
a puberdade solidifica
todas as infâncias
e as juventudes da vida
o prazer é o algoritmo
em todas as medidas
as que multiplicam os anos
e as que os dividem 

tudo é uma infância latente
adredemente consentida
326

versejantes mantras em palavras

o verso
é um mantra avesso
cada palavra avulsa
pulsa um endereço
os que sejam do poeta
e os que os outros cometam
tudo é sempre significado
dos carmas que se inventam

o poema é um comício inato
a todos os mantras que convenham
279

Alinhavos da crise em perene jorro

a crise
é só um susto
que a solução encontra
no transcurso

molda-la em atos
e discursos
é vivê-la unânime
em seu custo

nada como inventar os modos
de alinhavar seu curso
334

Das coletivas vazōes do ego

construir como múltiplo
e cada dia mais ser todos
é a tarefa unânime
de quem houve

o ego só existe
com todos em riste
vive-lo sozinho
é mais uma forma de ser triste

a multidão nunca impede
o jeito solitário de quem vive
312

Da fome em discurso recorrente

a fome
discursa nas ruas
a culpa humana
e a urgente tecitura
de todas as infâmias
e de todas as culpas
o homem,
enforcado em suas tripas,
sonha aos bocados
seus restos de vida
a razão foge pelas mãos
como uma inútil notícia
 

255

Infantes presentes em passados futuros

dou-me ao tempo
com a ousadia
de quem joga a infância
pelos dias

o rapto de mim que faço aos anos
como um desfalque no presente
é só um trajeto volitivo
dos passados que ausento

o futuro caminha e pulsa tanto
que a gente o veste como infante
336

Comentários (8)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado