AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
310 744 Visualizações

Das larguras do tempo

Teço a vida
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
 
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
 
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
Ler poema completo
Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

446

Virtual memória em páginas avulsas

o processo,
jazia em termos
nos bytes que consumia
em seu enredo

o homem virtual,
em configurado discurso,
embaralhava  na tela
presumíveis futuros

ao juiz restava a saudade
do debulhar as páginas 
como quem afaga no direito
os critérios da alma
31

Genuflexão em termos

ajoelhado
em suas culpas
o homem arquiteta
todas as desculpas

a divina idéia
pousa em seus verbos
como um pássaro fugitivo
de todos os infernos

a providência do tempo
é uma vontade absurda
de fazer das preces
um arremedo da luta
83

Das remessas de mim ao mundo

trafego
entre mim e o ego
tudo que esqueço
pelas curvas do mêdo

intacto,
quase convicto
dou-me à memória
de resolver os instintos

e enfim recolho-me inato
para afagar o que sinto
123

largas passadas em urbana jusante

assim atravessada
entre os edifícios
a rua pulsa em ondas
os ventos do comício

verbos em suores
uma grave massa
revolvem o passado
dos futuros da pátria

a nação humana goteja
todas as chuvas que caibam
99

Do estado servil dos homens

a política, em tudo,
quase explicita
todos os vincos
postos da vida

forja-se estado
em poder e destino
como se fora regra
de homens e instintos

dá-la às razões coletivas
lutadas pela constância
é só uma nesga do futuro
com alguma certeza da esperança
88

Nordestina ilação do sonho

provisória,
a vida descamba
pela ladeira permanente
que a gente sonha

das filigranas,
desse arranjo do sempre,
o sonho aumenta
a força dos ventos

e o relógio onírico,
como instrumento,
inventa os ponteiros
para tanger o tempo
81

temporais vivificantes

e quando forem manhãs
as tardes que eu sinta
deixem-me organizar
os tempos que pressinta

é que arrumá-los
nos armários da vida
deixam um gosto de tanto
nos contratos que persiga

a vida é um litoral intenso
dos oceanos largos da lida
34

Da constância humana do futuro

dou-me ao mundo
com a persistência inata
de procurar coletivos
nos escaninhos da alma

trazê-lo próximo
é um fazer exato
de quem procrastina
as heranças do passado

construir os andaimes do povo
é a consistência do futuro
porquanto dê-se ao tempo
a lógica humana de seu curso
42

Das instâncias da vida na vontade

as vidas que guardo
no bolso da camisa
deixam-me autor
das esperanças que consiga

esse enganar-me
de prover-me vivo
talvez seja resultado
de estar sempre comigo

a vida é um trânsito informe
da vontade de ser vivo
60

Destinos em verbos semeados

dos destinos que traço
na ponta da caneta
arrumo assim pelos verbos
que a emoçāo cometa

o verso é só aceno
debruçado na palavra
que tenta semear idéias
nos roçados da alma

a amplidão de seu plantar
é só um tempo de fala
45

Comentários (8)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado