Frevo em voo presumido
o frevo assim em comício, entornado pela rua, inventa alegre nos passos um jeito inteiro de luta e os bemóis alinhados nas emoções que pontua escrevem a pauta do povo nos homens que flutuam o frevo é um voo exato do homem na sua lida de escrever pelas pernas as linhas todas da vida
Varrendo saudades
varrer as saudades nas costas do futuro talvez seja a hipótese de traze-las em curso e derramá-las cogentes pela permanência do uso construir saudades é só um recurso de prevenir a razão das constäncias da luta e pousa-la grávida nos futuros em disputa
trânsito na tarde
nem por tê-lo urgente pelas curvas da face dê-se ao tempo a chance de assim aquietar-se as ranhuras que causa nos desvãos onde nasce são apenas caminhos de intensos combates viajar ainda esses becos é um trânsito largo de saudades
Das constatações factuais repentinas
a aparência do fato resolve-se pronto no deslizar da razão a seu encontro cômoda, repentina, deixa-se pelo verbo com ares de conceito absoluto, incontroverso a feição exata do fato escorre nas ondas do cérebro como uma sinapse perdida esquecida e controversa
Temporal parcimônia
o dar-se à vida requer parcimônia. os infinitos do tempo dão-se a quem sonha guardadas as proporções da onírica sanha a vida é um tabuleiro onde o tempo sempre ganha
Verdade em relativa prosa
a verdade é uma dúvida itinerante solta-se ao depois com as faces de antes tê-la intacta pelos tempos é não cabê-la relativa nesse transcurso intenso o absoluto não é indumentária que caiba em qualquer sentença
Volitiva inação
o infinito talvez nem caiba nos senões da vontade que se tem na alma buraco negro de vazão avara engole o tempo como máscara nada do que tem de tanto dá-se pelo menos que declara
Do poema em prosaica andadura
há de haver ritmo nos degraus da paciência nesse abraçar o mundo nos verbos que contenha a palavra, grávida da terra, como um sonho, em ondas, mergulha no poeta como uma grave sombra o poema apenas regurgita os verbos exatos do que sonha
Medições em verbos de dizer mundano
ao poema cabem os milímetros e todos os infinitos que pressinta dá-los a verbo é unicamente sintoma de que a palavra, sem medidas, às vezes, sonha o poema é um arbítrio lato de liberdades e de clausuras desde que trafegue, intenso, a indizível lógica das ruas
Fugitivas demarches da palavra
o poema é fuga planejada deixa-se da vida para embarcar na palavra porto semântico, adernado no tempo, o poema navega alvoroçado os vincos do pensamento e cai nas letras, enquadrado, habeas corpus verbal do poeta e seus enfados
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.