o poema nunca cala seu silêncio é alvoroço da alma
o poema nunca grita seus alaridos imitam a vida
o poema é um astronauta em órbita nas avenidas à procura dos labirintos que os verbos lhe permitam
56
do riso como semente larga
o riso não é um disfarce, tudo que lhe trama nasce como se fora um vendaval nas curvas da face
é uma alegria semeada nos ângulos do rosto nos leirões montados nos roçados do corpo
sorrir é tanger o mundo nas estradas de tudo.
108
da vida em pauta compassada
se a vida atravessar o compasso da vontade e deixar-se reticente pelas curvas da face revolva-se o tempo nos ombros da liberdade construindo os futuros em que ainda se cabe
o compasso da vida tende a ser perdulário nada como vivê-lo com as notas que criarmos
56
Das imanências do verbo
o poema nem imagina deitar-se apenas nas palavras que declina
antes há de sabê-las postas nas entrelinhas do juízo em que se acosta
não é de dizer-se só enfático nas nuances do seu corpo mas nos bilhetes que emite no verborrágico alvoroço
55
Minha mãe em utópicas rimas
minha mãe dói em mim como um lírico abismo tudo que já não é permanece infinito
senti-la assim como uma memória infinda é poder cria-la em todas as rimas
minha mãe é uma utopia debruçada em todas as esquinas
45
Legislatura informe do futuro
quando o futuro deitar no tempo lavre-se o termo de livramento
o povo que o construa decrete seu destempo e de-lhe o timão dos cursos do presente
revoguem-se todos os passados em que se houve como ausente
22
Oníricas vicissitudes
esqueço-me nos sonhos como tentativa de construir andaimes pela vida
o fazer onírico talvez sirva para medir as léguas que eu consiga
o sonho é só um trampolim das necessidades da lida
82
Tchaikovsky em lances
na valsa, em flores, Tchaikovsky intenta navegar os mares da consciência
burla o tempo cria infinitos e constrói balsas pelos ouvidos
a música é só um disfarce da profundidade dos sentidos
37
Da infância fluvial em saltos
nas curvas do rio, como um bailado, as águas traziam mansa a natureza nos braços
da ponte, aos saltos, os meninos incontidos lançavam-se foguetes no colo morno do rio
a vida era uma armadilha montada no desafio da felicidade que havia escondida pelo rio
76
Jornada
dou-me ao passado como transeunte que armazena no riso os futuros que pude
dou-me ao presente como navegante que consome no riso todos os meus antes
dou-me ao futuro como intrometido que teima a alegria com as nuances do infinito
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.