minha vida chove a cântaros nos roçados gerais da esperança
essa espera afetiva de abraçar o tempo remói alegrias nas tristezas do sempre
plantar futuros na história é um espreguiçar-se do presente
103
Do genérico eu em marcha
saio de mim tão de repente que me perco no outro nos meandros de gente
e nessa fuga, em rios de largo vau a vida flui coletiva como um vendaval
perder-se, assim, no próximo é achar-se humano, quase total
94
Futuros em estado ambíguo
meu método é sonhar o todo e deixar-me lúdico em cada fôlego
o futuro assim cronometrado é um beco esvoaçante dos voos do passado
viver apenas o presente é uma defasagem dos fatos
30
da paisagem como vida
a paisagem, quando espreguiça, deixa pelos olhos o sumo da vida
a matéria tem dessas lides joga o tempo no espaço e nos põe em cabides
a paisagem é um tempo de esquecer as marquises
63
Das últimas jornadas
sairei da vida como um astronauta num voo de ser único aos foguetes da genérica massa tudo que me leva é uma história exata e o pouco do que fico é a saudade de quem me guarda
62
Sono em profusa travessia
meu sono é só jornada dos sonhos que enfio pela madrugada
e de vê-la displicente tangendo impune o dia abraço seus recados em todas suas vias
e lanço-me, farto, ao tempo com as oníricas iguarias
116
Poema de circunstância XII
no frio fardo, envolto da cidade, o homem tarda em mostrar-se tarde
o corpo, em ondas, pinça os ares árticos e desaba na fome com a morte nos braços
a cidade nem percebe partirem seus pedaços
74
Da pátria grande desmedida
as pátrias são enredos soltos da universal conjugação da terra lúdica de todos
vivê-la em construção é argamassa coletiva de quem se joga no tempo sem quaisquer medidas
a pátria grande de todos é a verdadeira construção da vida
56
gramaticais instâncias do verbo
dou-me à palavra como um desenho que, moderno, arma os gatilhos do verbo os estampidos da alma
o dizê-las assim, gramaticadas, endossam as entrelinhas do que são as falas
as palavras estão grávidas desde que pronunciadas
17
Infinitos em curso
o céu nem desconfia dos pedaços de deus em suas vias
espalhado no mundo, assim inconfesso, delata os infinitos que convivem o universo
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.