Da arte em ritmos da história
sobraçando a arte o homem cogita de por-se alheio aos ritmos da vida sobe-lhe a ânsia de sentir-se único e deixar-se lúdico construindo o novo a arte, sorrateira, é só um retrato da construção de todos
Das crônicas de mim
crônica de mim, o poema exprime todos os verbos que me intimem o enredo, deixa-se estar em lavra como um pássaro voando nas palavras o poema é uma jaula onde sempre guardo a alma
Pátrias manhãs da fome
a manhã larga cabia pela praça como um aconchego da madrugada deitado, no colo da marquise, o homem consome a fome armazenada e retrata nos olhos nos palmos da crise uma pátria enxovalhada
Berimbau em gestos
rouco, o berimbau discursa uma memória negra dos desvãos da luta o verbo sonoro patina nas lembranças todas as áfricas sentidas em lampejos de esperança o berimbau alinhava sonhos nas entrelinhas da dança
Das altitudes humanas
nos degraus da vida a escadaria mente subidas e descidas são apenas aparências tudo humano é planície naquilo que se sente as altitudes humanas são as montanhas do povo os picos largos da história com as artimanhas do novo
Marinha com materna intrusão
os braços de minha mãe eram um porto resumido onde atracavam os navios que fui quando menino minha mãe, sorrindo, nascente dos meus mares tangia todo meu amor com o imã dos olhares eu deixei-me tanto pela vida que ainda nado nesses mares
Poema de circunstância X
na garupa dos anos os olhos, sem tristeza, jorram a cada instante em que a vida seja dá-se ao pranto docemente escorrido como se fora um discurso com jeito de sorriso a emoção, assim provecta, tem coisa do infinito
Poema de circunstância XI
assim descampado o sertão cogita em encher de tanto os p(c)actos da vida pula exausto nos ombros dos sentidos e declara em seu calor todos seus comícios o sertão é uma varanda larga dos recantos em que se agita
Poema de circunstância IX
dos olhos, nublados, escorriam chuvas como um temporal urgente de algumas culpas a fome tremia em ondas e das mãos, magras lanças, os ares enchiam a manhã de navios da desesperança o homem, esfaqueado pela vida, discursava pedidos numa triste dança
Infantes descalabros
na infância, encabulado, nos meus versos o crepúsculo era, assim, um torcicolo do universo o que faltava da vista no horizonte retorcido era só um trejeito das larguras do infinito o mundo era um discurso com os verbos de menino
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.