Cruzeiro ensimesmado
em mim, à deriva,
os sonhos navegam
os mares da vida
barcos construídos
em adrede investida
à espera dos portos
que meu braços consigam
deita-los no tempo
em águas tranquilas
é deixar-me navegante
dos cruzeiros da vida
Planificação em vias da vontade
meu plano
é transitar a vida
por todas as estradas
que me vivam
nas léguas que eu invente,
nos passos que consiga
meu plano
é joga-las no tempo
como serpentinas exatas
lança-las pelo mundo
no carnaval lúdico das palavras
as que eu traga na boca
as que eu usine pela alma
fetais anseios em líquida voragem
esse nascer aquoso
do largo mar uterino
marca a vontade, pelos anos,
de navegar o destino,
seja no barco dos sonhos
seja no vau dos caminhos
habita a líquida vontade
dessa fetal conivência
de deixar-se transeunte
das ondas da consciência
Do poema em declarada entrega
o poema
lambuza a alma
alinhavando razões
no colo das palavras
não que as preencha
com a régua de princípios
mas que as regue fartas
com um quê da vida
o poema é só um transeunte
das nossas densas avenidas
Matinal
o vento
alinhavando a paisagem
tange pedaços do tempo
no peito da cidade
a manhã
no colo dos passarinhos
bebe o concerto das aves
espalhando-se nos caminhos
o homem, bebendo a ventania,
abraça o mundo em seu ninho
Filigrana zen do exercício
intensamente zen,
deixo-me vagar
nos eus do além
saio de mim
entrando-me largo
nada e tudo de mim
que vagamente trago
conjuntamente zen
dou-me ao indício
de postar-me lógico
no colo coletivo
Institutos de mim
a vida,
meu instituto,
é só um afazer
em que debruço
e dar-me pleno
em seu uso
é jogar-me em todos
como discurso
a vida é um programa
das mudanças do mundo
Solilóquio em rasa ocorrência
a solidão,
solta no tempo,
é só um vão
do pensamento
dói pela vida
como desperdício
da vazão de todos
pelo coletivo
a solidão trafega
a ausência do outro
em que navega
Dos reveses em vistas e relances
os olhos em relances
arcam consequências
faróis incautos
da consciência
dizem no tempo
segredos arquivados
gestos de futuro
molhados do passado
os olhos são faróis intensos
de lampejos cinematográficos
Violaçōes
o violão viola a tristeza
no colo das mínimas,
das di(fusa)s e dominantes,
quando ponteia a vontade
nos braços de quem lhe tange
bailarino do som,
cordilheira de brados,
afina a alma do tempo,
dança pelo espaço,
na coxia dos ouvidos
em que joga seus laços
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.