indígenamente farto dou-me ao desacato de retesar na mente todos os meus arcos
e sei das flechas que alinho nas palavras e as debruço no tempo como um grito d'alma
meus cocares apontam a história como um afã de inventa-la
102
Das construçōes intimoratas
quando esquece o tempo montado em si mesmo o homem inventa horas nas curvas de seu enredo
e desfia-lo pela vida como um novelo é embrenhar-se de futuro nos passados que teve
o homem constrói a si com a constância de ter-se
90
Da genérica mudança
tudo habita em mim no panorama manifesto que a matéria guarda em si em sua máscara genérica
e dou-me ao geral quando, disperso, deixo de estar nas sinapses em que me esqueço
a morte é só um desalinhar-se da genérica função do que, hoje, teço
97
Formais enredos da razão
laico, deus cogita em trazer-se fático pela vida
enérgico, dá-se à equação de ter-se quântico na razão
deus tramita o mêdo com a culpa à mão
93
Do trânsito em corrente medida
no trânsito, engarrafado, do tempo e da vida restam as léguas de si e os metros das investidas
dizê-lo corrente em conforme discurso é traze-lo controlado nas rédeas do uso
o trânsito da vida é uma avenida do futuro
29
Do acaso intenso do destino
o destino, à contraluz do tempo, é só um acaso solto no pensamento
sua trilha segue a narrativa da necessidade extrema de medir-se a vida
o acaso, nos fatos que abriga, é uma construção fugaz, anonimamente consentida
64
Das antecedências do amanhã
o amanhã, tardio na verdade vive embrulhado na nossa vontade
semea-lo aos saltos pelo tempo é compreende-lo militante do sentimento
o amanhã é só um jeito de guardar o futuro no pensamento
119
Tempos em vagas
quando as tardes dormirem as manhãs e derramarem-se nas noites como um tempo claro tenham os homens a noção, adredemente arquitetada, de que as horas teimam o mundo nos coletivos que declara nada será uno e tanto sem a luta que se trava
68
Das andanças em notas e caminhadas
nas teclas do piano palmilhando compassos o músico inventa seu riso nos bemóis a que se abraça
do raso dos dedos caminhando o teclado o pianista tece a trama de notas abraçadas
a música é só um comício numa grande passeata
29
Do infante exercício onírico
adormecida a menina sonhava e deixava cair, aos pedaços, o sonho pela casa de seus olhos, entreabertos, brotava um onírico manifesto
dos risos que construía entre o sono e a vigília transbordava pelo rosto a plenitude da vida
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.