Dos informes traços do universo
do universo decrete-se a forma de ter-se infinito infenso a normas porque de sê-lo assim incontido tenha-se já completo em vários infinitos as réguas de tê-lo abarcado são artifícios do juízo
Poema em mansa beligerância
o poema em riste, como uma centelha tramita todos os verbos pela incerteza roldão de palavras, da-se ao esforço de atiçar no poeta um certo alvoroço o poema é um levante das ruas em que se diga guardadas as proporções do verso, do poeta e da vida
Do futuro como ato
no avarandado da alma nos largos da lembrança o homem sonha o futuro deitado na esperança os terraços do tempo dão-se a um caminhar militante quando os corredores do corpo constroem avulsos instantes conjugar-se aos tempos é um espalhar-se constante
Procissão em transe
no andor, circunspecta, a santa balançava jogando pedaços de milagre que a multidão adivinhava a passeata transitava tangendo as consciências, afagando o peito de todos em devidas providências os santos assim viajantes decretam-se pela ausência e a vontade quase expressa de permitir a obediência
Dos cursos da felicidade
no Riacho dos Cachorros a água consentia na necessidade de dizer-se no curso da ventania e debruçava nas margens como um gesto delicado que levasse nossos sonhos nos trilhos que desenhava o riacho nem pressentia as felicidades que molhava
Da chuva em largada euforia
a chuva molhava os sonhos nas ruas, em enxurradas e derramava sorrisos espalhados pelas calçadas os meninos dançavam os bailados da infância e jogavam pelos ares punhados de esperança a felicidade apenas tangia os compassos dessa dança
Dos foguetes em sideral floresta
no espaço, como uma flecha, o foguete desenha uma indígena gesta na mata sideral corta o infinito como um pássaro veloz e decidido o homem alinhava o universo nas razões a que se permite
Correntes do tempo
a curva das horas montadas nos ponteiros ressoa pela ânsia de ver-se timoneiro e dirigir esses mares das profundezas do peito a vontade, marinheira, destaca todos os navios atracados na certeza de que lança-los no mundo, como um ato coletivo, é a melhor correnteza.
A Josefa Ferreira da Silva, centenária
Petinha, olhando ao léu, no arco do seu corpo, carregava quilos de tempo e um certo alvoroço dava-se a ver o futuro voando todas as horas como se a tela do muro fosse uma imensa gaivota Petinha media o passado com o futuro nos olhos
Moncada em vazão constante
Moncada, rebelde, apenas lava as costas da liberdade dentro da alma nas ilhas do tempo como uma garça a honra humana voa em todas as praças Moncada apenas dorme nos ombros de quem marcha
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.