a pedra, em silhueta, como um encontro joga nos olhos o tempo e os sonhos
finge um horizonte com o exato desalinho das árvores que teimam em deixá-la fingindo
a pedra é, sobretudo, um tempo dormindo
64
Das intempéries mornas da vida
assim largado nos vendavais que sigo abraço a realidade em todos seus sentidos
é que senti-la com uma humana culpa é trazê-la resolvida nos futuros da luta
embrulhar-se na vida é um jeito da disputa
77
Dos escapes intensos da vida
meus muros sequer os construo deixo-me às planícies abraçado ao futuro
bato às portas do tempo com as horas que guardo na constância humana de inventor de abraços
tudo que me encontra são os encontros que traço
59
Pássaro do tempo em larga passada
dar-me a voar como um pássaro coletivo e navegar os ares em que me lanço ao riso
estraçalhar gaiolas com as asas do tempo e a larga compreensão de cada sentimento
flutuar em mim, com todos, na cama leve dos ventos
29
Tempos em aritmética visagem
esse olhar derramado nos ombros do horizonte talvez divise o passado ou um futuro tão longe que esquece como presente os agoras que tange
o barco da existência navega um mar sem medidas que tange desarrumados os tempos todos da vida navega-los a destempo é esquecer suas medidas
96
Pedra do Ingá em resenha avulsa
na Pedra do Ingá o passado futura todas as razões por que se luta as que estejam claras e as que, nas escuras, precisam um certo jeito de resumir as culpas
as pedras do tempo são resenhas assinadas dos ancestrais que habitam todas nossas estradas.
69
Meus flagrantes alinhados
meu flagrante é estar comigo em todos os sempres que consigo
os ajustes dou-os à vontade de estar preso a toda liberdade as que construa e as que me invadem
103
Do futuro em ritmo obrigatório
nada do futuro deixará de sê-lo apesar das mortes apesar do medo tudo que é vindouro amanha um segredo: a consistência do tempo supera qualquer enredo os espaços que ocupa encampam o tarde e o cedo e todas as intempéries que pretendam interrompe-lo
90
Dos coletivos singulares
o particular é só a divisa entre o coletivo e aquilo que ele cria
achar-se plural ensimesmado é descompor o tanto por meros singulares
compor-se coletivo é uma vigência total e unitária
79
De Valentina Tereshkova a céu aberto
dos céus que viste, Valentina, ainda resta a urdidura da vontade dos homens construindo seus futuros os que apenas cabem em si e os que cabem no mundo
que teu céu permaneça guardado para as aventuras do novo que navega os ombros do tempo singrando o peito de todos
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.