Duvidosas dívidas da verdade
minha dúvida
nunca é dívida
antes como verídica
em não conter medidas
para medir os fatos
que me entornam pela vida
trazê-los todos contados,
em réguas sapientes,
é deixar-me do futuro
em verdades só presentes
esquecidas das rebeliões
de tudo que se sente
Do processo legislativo vivente
projeto,
em clara vontade,
a vida permanece
nos braços de quem a lavre
decreta-se, em votos,
adredemente aprovada,
como lei de quem a leva
nos ombros da estrada
finda,
em autógrafo dada,
legisla sobre a matéria
genericamente disfarçada
Da borboleta em voo rasante
a borboleta,
íntima do vento,
assume a confissão
de navegar o tempo
singra nas asas
os olhos que a perseguem
quase estandarte avulso
dos céus em que se mede
a borboleta dança no voo
todas as léguas que consegue
Das andanças etílicas
o vinho
tinge o juízo
com as cores de si
e alguns artifícios
flui no verbo
como um vendaval
letras e gestos
em decúbito formal
o álcool tange o corpo
como uma bandeira exata
de todos os egos resumidos
espalhados pela praça
pássaro em discurso
o papagaio
caça o verbo
como um som intruso
em seu interno
joga palavras
como trinados
nos construtores humanos
de seus brados
pássaro, em discurso,
na repetição de humanos,
nem percebe a razão
dos verbos que proclama
Trânsito em humanas carnes
de trazer-se magro
num tempo escasso
o homem lavra a fome
consigo nos braços
o viver estanca
no corpo descampado
e, faminto, mede a falta
de sonhos pela face
o tempo transita um homem
permanentemente adiado
Palavras em postais correntes
a palavra
lavra a fala
discursa e cala
farpa verbal, resvala,
pelo rio da boca
d(g)ramática e avara
dorme no verso,
verbo resumido
como manifesto,
brincando de infinito
Das metragens do amor em ritmo condensado
o amor é usina elástica
cabe assim no peito
como exercício exato
de todos os infinitos
em que se declara
os que constrói no tempo
os que arquiva na alma
derramá-los pelos dias
é condição de estreitá-los
e cabe-los consumidos
na recorrência dos braços
Materiais enfoques da mundana troca
a matéria
em cambalhotas
gesta o futuro
em suas trocas
faz-se objetiva
em subterfúgios
e subjetiva o óbvio
em seus infortúnios
a matéria vive em si
todos os atos de tudo
navegante, como ofício,
leva a mudança como vício do mundo
Das vésperas verbais da verdade
a verdade
paira dita
nas dúvidas do fato
que explicita
verbo
não se presta
a provar antes do fato
sua véspera
construi-la antes
é manifesto
de quem verbaliza
o concreto
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.