Jornada temporal em escala lógica
as manhãs nunca são baldias sempre há um fato nos ombros do dia arrumá-los, aos solavancos, nos degraus da memória é só um jeito do povo de espalhar-se na história ao futuro cabe decretar-se nos atalhos em que se mostra
da placidez tonitruante
o silêncio nas ruas do pensamento pesa como um grito alinhavado nos ventos é que a mudez do verbo traz pedaços da vida e os envolve de nós mesmos nas cicatrizes sentidas o silêncio é um rompante infenso a medidas
viveres em unidade alheia
viver é quase sempre esquecer no outro o que se sente estar uno dono de sonhos é contar-se outro como patrimônio a unidade de mim tem um quê de abandono
Manifesto dizente de razões pulsantes
a energia, urgente, orixá tão distraído, tropece plena no tempo e espalhe em mim o infinito aqueles que eu consiga e os que eu nem sinta pelas curvas do ego pelos ombros das avenidas e assim num jeito manso entorne o universo pela vida
Dos relâmpagos comícios da vida
o discurso, ao vento, em pássara sintonia voa no entendimento os gestos que cometia os homens, absortos, presos aos ouvidos, engolem as palavras e os ares do comício amanhã, quem sabe? haverá fatos e indícios
Umbanda em noite gritante
na gira, aos pulos, o tambor discursa a métrica urgente das rimas e das lutas ilus, em rompante, inventam energia na dança das pernas rodeando a vida a noite, andante, testemunha a anunciação intensa do dia
Do poema enquanto falar
meu verso em seu avesso é só um verbo em que me esqueço dizê-lo, nos ombros do tempo é vislumbrar horizontes nos mares que comento o poema é só a manhã das noites que intento
Da tristeza em ritmos e clarões
a tristeza dói no tempo como uma pedra solta no pensamento tê-la como urgente nos tropéis da fala é só um desconforto das instâncias da calma consumida, passageira, vislumbra, lenta, pela estrada os pedaços de riso amontoados na alma
Verdade em refluxo renitente
posta, assim, à meias com a realidade, a verdade é um tempo de liberdade é que lhe sobra o custo de encachoeirar-se e entornar-se no tempo, nua da veracidade a verdade é só um jeito de construir-se na idade
Da palestina contração da terrorista sanha
a bala, em terra alheia, nave assassina, mata o verbo, o sonho e a gente palestina o estado, terrorista, apodrece no fuzis todos os ardis, a liberdade, a vida o futuro ainda calcula um justo resgate em sua vinda
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.