bordada no tempo como uma estrela a mãe habita a memória como uma centelha
o que lhe tange é a compreensão do fato de que apenas e tanto restamos no mundo inexatos na condição de sermos apenas uma parte dela, aos pedaços
86
Das legalidades em avesso trânsito
direitos e humanos, o sistema trucida, na farsa legal de sua investida
do cont(r)ato coletivo a norma decreta todas as sem razōes engravidadas na gesta
a lei apenas consolida as vontades encobertas e as retrata como coletivas nas clausuras manifestas
101
Procissão em agudo transe
o mundo dói como uma farpa que aponta, unânime, para os canalhas
peças do engodo, como navalhas, raspam a face do sistema à custa alheia de trabalhos
o futuro espreita no escaninho da vida as demarches do tempo os atalhos da saída
92
Do balançar dos gestos em rasante rebeldia
dos ventos tenha-se a compostura de espalhar o tempo no vão das lutas
brisa e furacão, adredemente, como se fora aurora de todos os poentes
a vida é um vagão de todos os trilhos que consente
57
Vivência em desatado prumo
o verdadeiro estratagema é sentir o que se pensa deitando o verbo no fato nos rios da consciência e desembocar no tempo como uma hora indivisa que junta todos a tudo nos cobertores da vida
70
Florestais reincidências em contínua vazão
a mata grávida de tanto aborta aos poucos gritos de carbono
indigena, o tempo regurgita, nos ombros das árvores, folhas, mercúrio e notícias
em cada desvão do mundo o crime desaba a vida
58
Do poema em fluvial deslize
o poema não é um rio sua correnteza é fictícia tudo que lhe navega são os verbos da vida suas cachoeiras nessa empreitada são os vulcōes verbais embrulhados nas palavras entornam a poesia como uma jornada daquilo que se sente quando o tempo fala e joga sentimentos no colo da alma
76
Pequena introspecção voluntária
flagro em atos todos os desejos em que me basto
aqueles que ainda perco aqueles que somente acho
a estrada de tê-los é fazê-los tantos e exatos que me deixem vivê-los nas réguas do que caibo
83
Da África em passos e povo
a África pelas ruas nem é continente é uma bailarina furtiva tangendo sua presença
é que nos passos em que cabem todos seus viventes passeia a dança do povo nos ombros do continente
como não ter a África tatuada em cada mente nesse roldão de andanças que o povo em dança consente
48
Das sirenes declaradas na praça em reminiscência
as sirenes, em gritos, narravam apenas o zumbido dos fatos em adrede urgência
na praça onde verbos eram atos as palavras açoitavam as urgências dos fatos
e no leito da vida, no contorno da disputa havia um gosto do futuro e as certezas da luta
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.