dos céus que cria no colo da alma o homem delata o sujeito e o drama de repetir-se criador e criatura da trama tudo que lhe importa é a ilusão da alheia chama
os deuses que prolata decretam seu engano e percorrem, quase divinos, as facetas de humano
89
Campesina forja de escritos
o camponês nas terras que lavra enterra razōes em sua alma
a enxada é uma caneta avara que escreve suores em urgentes falas
o camponês nem sente o tamanho dessas páginas a terra é só um discurso das sementes que instaura
82
Das razões e freios do medo
das inflações do medo rasuras do sujeito dê-se tardes ao tempo nas sanções do peito
deitá-lo na vontade como um gesto largo é ato dos movimentos de mantê-lo estático
o mêdo é só um laço que antecede nosso brado reconhecê-lo é só início é mantê-lo ultimado
77
Das metragens do tempo em retrato
o tempo da história como serpente tramita todas as horas numa estranha urgência
largo e descontraído engole nossos minutos e ri dos tamanhos que pomos no futuro
a ânsia de cometê-lo é só um desconforto dos mares que navegamos em busca de porto
86
Da intercorrência onírica da humana mercadoria
o trabalho cheio do mundo, em sinergia, rompe músculos e sonhos em urgentes mais-valias
o homem, desapropriado, producente investida é um decreto intransigente da recorrência da vida
o tempo só argumenta os futuros em que vigia como uma nave imensa nas pistas oníricas do dia
29
Avatares em telefônica lida
em poses como um candelabro os olhos buscam olhos e incendeiam a vontade
humanos, confortados em seus avatares, deslizam soluçōes em longos celulares
perdidos entre telas jazem como algoritmos e transitam suas idéias como um encalhe do infinito
46
Litúrgica introspecção da vida
a vida profana todos os sacros em que se ama e sacraliza em ondas como chama a cachoeira avulsa da esperança
viver é quase uma liturgia nos altares de seus dramas em que sacerdotes de si os homens tecem sua dança
54
Pássara evolução de aves e sonhos
o pássaro nave consentida projeta os céus que os olhos sintam
no vôo desejos são medidas embrulhados nos ventos ao redor da vida
os olhos, pássaros informes, voam os sonhos todos que podem
76
Feições em relato subjacente
o espelho é quase um trânsito entre o homem e o seu espanto
ver-se, um tanto outro, no desfazer-se de egos em alvoroço
o reflexo, às vezes, singra descaminhos interiores como uma nave alheia de sentimentos e poses
66
Teatros em escala
as cortinas da vida são palcos esquecidos onde as coxias do mundo ensaiam seus gritos
e viajantes da peça cumprimos os compassos das ações que nos deixam atores sem espaço
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.