Paisagem em faminta praça
triste, o pombo, faminto na praça, nem sonha a paz em que lhe retratam antes arrulha uma fome exata nos grãos que minguam nas calçadas o espírito santo, no cartaz estampado, é só mais um pombo que arrulha o passado.
Frevo em demandas e vias
o frevo escorrendo no peito da avenida é cordilheira de alvoroço nas correntezas da vida é assim um absurdo desenhado nos sentidos de quem calcula no passo os limites do infinito o frevo esquece nas ruas os sonhos que consiga
Vaqueiro em vertente jornada
relativo e urgente como um elétron baldio o vaqueiro tange o tempo nas esporas da vida o boi é detalhe na rural avenida em que resta absoluto o peso da lida eletrons, vaqueiros e bois nem contentam suas vidas
Espiritual demarche
o espírito concreto invólucro caminha a vida em nosso colo deitá-lo em risos em praças e ruas é entorná-lo unânime nessa aventura vivê-lo assim adredemente é o sentido exato da luta
Paisagem em memória
na escuridão o olho comenta os azuis que possa em larga cena é um sentir em que se trama afundar a alma na esperança como se fora a vista uma eterna dança no palco irrestrito da lembrança
Dos metanegócios em rasantes bytes
virtual, a notícia deixa-se à margem do sujeito e da vida o metauniverso franzindo a verdade arrota cifrōes e megabytes pelo vão das cidades e o homem, retirante da terra, conta só os bits jogados na tela
Dupla inspiração da fantasia vital
os verbos não assustam quando discursam fartos a disputa os gritos tangem os enganos das pazes que trazemos em culpas e planos a luta é fantasia da vida e um tanger infindo dos anos
Das dores do mundo em vias de levante
o mundo é tão flagrante que chega a doer quando distante resolvê-lo como comum numa razão constante é percebê-lo uno em nossa circunstância tudo que o leva é a certeza do levante
Da vida em lato paradigma
o paradigma é estar vivendo com a vida tê-la solta num desvão dos sentidos é vivê-la à meias em todos seus indícios a vida é o embrulho exato dos infinitos exercidos
Das guerras em civis milícias
civil, dou-me à guerra tão militarmente que a farda da alma é uma desculpa aparente militar, dou-me à paz tão civilmente que os canhōes do peito explodem sentimentos soldado ou paisano guerreio a paz com a vida nos dentes
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.