Geografia de mim
quando choro dou-me por rio em busca dos mares em que sorrio meu riso é um mar aberto com todas as penínsulas em que me confesso meus sentimentos são uma geografia de gestos
Da informação
a informação perscruta e finge-se à tarefa de delatar verdades em doses manifestas parte inconsútil como um escasso teorema em que o fato nem importa como raiz e problema o sentido é a norma de mantê-la irrestrita em todos os quadrantes em que se tem política
Viagens rasantes em coletiva ação
das vezes que fujo dos contornos do ego deixo-me completo nos mares que velejo e deixo-me exato, habitante do que vivo nas diferenças humanas, como um ser coletivo as viagens todas de mim são o tempo que habito
Volitiva feição com futuro em curso
a vontade é só um distrato entre a inércia e o fato querê-la fundamento de conjunturas é descontruir os atos no correr da luta o futuro só dispara na concretude do custo de aliar o tempo ao espaço quando traçamos seu curso
Do todo e suas minúcias
o fato como um todo detem minúcias nos seus modos vê-las soltas do plural conjunto é não percebe-las parte do mundo não basta a vontade para lutá-las como tudo
Capoeira em registro largo
no avesso da armada o capoeira descobre todas as abcissas que seu passado recolhe e habitando o passado cerzido, assim, ao presente inventa todo o futuro no povo que lhe consente olhando as gingas do tempo nas meias-luas de frente
Sentidos rurais em franco senso
rural e baldia a paisagem fixa os limites do infinito, da paz e da vida indígena e original como uma ventania tange os olhos do povo pelos ombros do dia a terra é um grande comício de todas as alegrias
tráfego recorrente
transeuntes das almas a multidão caminha todas as calçadas em todas as rinhas as que iludam os passos, as que trafeguem a vida os limites são os pulos que a história decida
Do riso em pranto desatado
pranto que se leve embrulhado na impaciência deixe-se estar escondido nos risos que lhe convençam é que o riso sempre carrega uma lágrima baldia que derrama pelas faces as maravilhas dos dias o riso é também um jeito de chorar as alegrias
Cósmico bailado
a bailarina voando em vão é um astronauta tardio desenhando o chão seu impulso cósmico entornando o espaço lança todos os olhos no colo de seus braços a dançarina é um asteróide flutuando em seus sapatos
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.