Versejar como navegação de si
versejar
talvez nem seja
ver se o verbo retrata
o que crítica deseja
versejar
é só um jeito
de derramar o mundo
que se tem no peito
verbo sentido
espalhado nas estrofes
nada quantifica a forma
dos infinitos conteúdos de que sofre
Saturno em onírico rito
Saturno, a postos,
pisca no céu
como um estandarte de luz
plantado no cosmos
dado às alturas
injeta nos olhos,
no jogar da mente,
os infinitos que pode
Saturno é só figurante
dos sonhos que esconde
aqueles que alinhavam a vida
aqueles que vivem o longe
Iemanjá em marinha lógica
envergonhada
Iemanjá declara
todas as ondas
em que cala
energia humana
resta simbólica
no espalhar-se nos homens
nas ondas em que mora
Iemanjá vive seus eletrons
em permanente concórdia
no deixar-se marinha
em todas suas portas
Dos olhares grávidos
no vão dos olhos
a imagem delata
os flagrantes avisos
dos vincos da alma
o pulsar da vista
nos desvãos do tempo
alinhava um amor
no pensamento
e flui em verbo pela boca
como um convite ao sentimento
Citadina vazão em concreta forma
debruçado na vida
em largo sobressalto
o homem vê-se natureza
derramada pelo asfalto
os edifícios em marcha
tangem o espaço
em imobiliárias razōes
dos cifrōes amealhados
a fome veste o tempo
em humanos concretos
na passeata geral de si
num faminto manifesto
Procissão
a santa
posta em andor, refém,
avança a procissão
com ares de trem
os trilhos,
postos nas cabeças,
desobedecem as retas
nas curvas da consciência
a santa, nos ombros que a levam,
derrama milagres pela calçada
com seu disfarce de pedra
Humana natureza em pensante correr
a natureza,
posta em consciência,
da-se no homem
como presença
flui como estranha,
incauto movimento,
no apartar-se de si
pelo pensamento
os verbos nem percebem
esse enganar-se no tempo
Dos locais históricos da fala
no lugar da fala
consciência em vagas
de todos os cânticos
da palavra
as que teimam ouvir-se
as que partem da alma
largas estradas da vida
remoendo verbos pelas horas
como uma usina estendida
plantada nas costas da história
Pacífica apreciação da paz
a paz
nunca é sozinha
tudo que a traz
comprometida
é tê-la sempre unânime
em compreende-la coletiva
a paz
é uma guerra bruta
sua concórdia
é uma viagem lúdica
nesse derramar-se completa
quando habitante das ruas
Poema em navegação aberta
o poema
envergonhado
afaga a América
em seu latino salto
deixa-se militante
em seu panfleto
livre do eu lírico
contrafeito
o poema apenas dorme
a forma em seus trejeitos
como se fora um bólide
dos conteúdos do peito
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.